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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Como se fosse a primeira vez

Como se fosse a primeira vez, eles se viram. Nada disseram, nem um habitual “olá”. Apenas dividiram o espaço público. Idas e vindas, o que nasceu em algum momento do passado reacendeu, ficando cada vez mais forte, mais tenso, mais denso. Não bastava olhar e falar. Era necessário tocar, sentir. Não havia possibilidade de aproximação pública, tinham, deviam, fugir. Fugiram como se fosse a primeira vez, de certa forma, era.

Esquinas, taxis, pessoas, tudo passava e o descontrole ficava. Os corpos se chamavam e não conseguiam mais disfarçar. Era visível a química, o desejo e a loucura. Partiram em direção a qualquer lugar que pudesse acolher os dois. Acabaram entre pernas, palavras, sussurros e sintonia. Explodia um desejo guardado a sete chaves, não podia ser exposto, não deveria ser previsto. Nada nem ninguém conseguiria, naquele momento separar aqueles corpos, que já encontravam-se separados pelas circunstâncias.

Na luz do dia, após um momento quase mágico, ela foi e ele também, para seus mundos paralelos, para suas rotinas e pensamentos. Ela pensou nele, ele não pensou nela. Fato.

Passaram dias, horas, momentos, ela já esquecendo, recebe um chamado cheio de súplica, desejo, vontade, quase amor. Mais uma vez ficaram envoltos em palavras doces, risadas gostosas, momentos de entrega total. Mas acabou. Deve acabar não há o que questionar. Foi uma loucura necessária, pro bem do corpo dos dois. Mas passou. Deve passar. Um dia passa.

Outros dias, outras horas se seguiram sem um “olá”. Voltaram ao começo de tudo. Se um dia se encontrarem, será como se nada tivesse acontecido, mas dentro dela, só ela sabe o que ficou, o que marcou. As tatuagens deixadas pelas noites e esperas, estarão lá, pra sempre. Não há o que esconder, dela pra ela. Não há.

Ele seguirá sua vida assim: encontros furtivos aqui, outros ali, momentos de resguardo, outros de mundano. Mas sempre com o pé firme na terra que lhe acolheu, sempre. Ele levará também ao menos uma marca desse encontro de pele, uma sensação de prazer aliada a uma cumplicidade quase impar. Eles seguirão seus caminhos. Mas pra sempre, ficará esse momento. Pra sempre.

Carol Luz (19/01/10) - Que as pessoas tenham o direto de amar intensamente por 1 dia, 1 hora, 2 segundos ou uma vida inteira.
História de um casal que vi na rua... Pensei assim.