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domingo, 13 de novembro de 2011

Aquela coisa

De repente vimos uma esperança desaparecer aos poucos, as flores não são regadas mais por um dos jardineiros. Andamos. Caminhos distantes com promessas de futuro. Sonhamos. Vimos o momento mágico inicial que cultivava o amor simplesmente desaparecer. Medo de sentir? Não tenhas. Sinta, deixe acontecer. Aquela coisa que cresceu agora não precisa mais de palavras, acredito, tento. Cabem apenas ações no momento, para que se regue o jardim. Passamos pela consciência da intimidade o que nos dá a obrigação de não perguntar, começar a sentir, e saber entender. Reguemos. A verdade deve ser dita e sentida, talvez seja mais sentimento que letras.

Entre raios e cheiro de chuva, pensamentos sobre o futuro e o presente pairam pela lembrança e desejo de quero mais. Se for errado, tentamos, se for certo, tentamos, devemos tentar tudo o que nos faz finalizar histórias, pois não há história sem fim.

C.L. 13/11/11 – Por sentir.

Os que temos

Cada um de nós tem os amigos que merece, ou que escolhe, tanto faz, mas eles estão ai. Muitos se dizem grandes amigos, mas ficam só nos copos e nos momentos bons, não se envolvem, acho que às vezes sentem-se superiores por ter um isso ou aquilo melhor que você, nos momentos difíceis deles lembram de você, nos seus, parcialmente. Tem amigos que são mais do que isso, quase anjos, irmãos. Existem aqueles que você briga de 2 em 2 anos por serem tão fortes nas relações os dois, mas quando algo de ruim acontece na sua vida, essa pessoa que pode até estar doente, diz: “ eu levanto da cama e vou pra ai agora se você precisar. Quer que eu faça isso?”. E você sabe que fará, pois, a pessoa tem um coração maior que ela. Tem aqueles que não perguntam e simplesmente avisam que vão te dar o ombro num momento difícil. E aqueles que conhecestes há pouco tempo, mas tornaram-se grandes pessoas que procuram sempre estar ao seu lado, perguntar sobre as coisas e apoiar, mesmo longe. Além de puxar sua orelha quando necessário. Tem aqueles que você conta o que anda acontecendo, mas os problemas dele são sempre maiores. E os que pensam em você durante um dia inteiro, e você o mesmo, e de repente ligam pra saber onde você está, e quando contas o problema, avisam: ligue - me a hora que for, meu telefone está aqui pra isso. É. Tem quem só envie uma mensagem e nunca diz: vou ai pra conversar com você, mesmo quando pode. Os que não superaram as suas dores parecidas, e por isso, não conseguem ser tão próximos. Tem quem você acha que te ama, mas o egoísmo supera. E ainda tem aquele que você pensa que não te dá muita atenção, nunca lembra de você em coisas boas, mas na hora do problema, está ao seu lado. E ainda aqueles que vivem tão longe mas estão sempre sentindo o que acontece com você, aparecem, ligam, rezam e choram, além de sorrir e te amar.

Eu tenho na minha vida todas essas pessoas, com suas fraquezas e riquezas, assim como eu mesma as tenho. Nem sempre acertamos, claro, somos humanos com plena capacidade de fazer besteiras, ser egoístas, nos perder e nos achar. Mas muitas vezes as atitudes doem, e muito, quando não esperamos. Precisamos trabalhar o desapego, sempre. Deixar as pessoas livres, cada qual com a sua essência. Cada um com a sua verdade. Mas aprendemos nos momentos difíceis a cortar ou acrescentar na lista, quem vale mesmo à pena.

Mas mesmo os de copo, eles fazem a diferença. É bom falar amenidades e poder não aprofundar assuntos.

Um brinde.

C.L. 13/11/11 – ao que temos, ao lado, sempre, um muito obrigada.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Venha

Vamos, juntos, mais uma vez enfrentar esse mundo. Nossos cabelos ao vento correndo em direção do que nos faz felizes: NÓS. Acreditamos, choramos juntos, rimos mais ainda, entendemos o que nos faz ali, presentes, momentos. Entregamos a nossa alma nesse amor intenso que simplesmente surgiu. Sem saber o que fazer, me joguei em você. Sou feliz assim, e sei que você também. Em tão pouco tempo fomos completos e fui capaz de sentir que essas almas já se cruzaram por outras estradas. Respeitamos e conversamos. Se ficaremos lado a lado pelo resto das nossas vidas, que saibamos conversar e escutar.

No primeiro dia você enxugou as minhas lágrimas, nos últimos, enxugamos. Venha, faça parte dessa minha louca vida e eu farei parte da sua, também. Espere um pouco mais para que tenhamos corpos juntos, pois, alma e coração já estão. A única coisa que quero agora é perder a distância. Não, não me coloque no armário das lembranças, mantenha minha cor viva nos seus olhos e nos seus objetivos, é isso que estou fazendo, a cada minutinho. Vamos acordar juntos em Paris, tomar vinho nos canais de Amsterdam e viver na África. Vamos. Eu vou. Quero ir, estou a caminho.

Quando penso nos olhos que me olham com amor, desfaço-me. No sorriso quase infantil que me leva, dou-me. Venha comigo, pois, eu já estou de mãos dadas com você.

C.L.: 24/10/2011.

Choro.

Meus medos

Passa o tempo e o Universo envia aquilo que pedimos. Tenho medo de me jogar na vida, muitas vezes, de aproveitar cada momento pois, nunca sei efetivamente o que quero. Em outros, tenho dúvidas sobre aquilo que tenho ao meu lado. Não sei se é para mim, se mereço, se posso. Passo dias pensando no que deveria fazer, se me jogo, se recolho. Tenho medos, alguns, assim tão marcados como tatuagem. Medo do abandono, de errar, mais uma vez. Um medo do que é fato, e não um caso extraordinário. Mas tenho esse medo, mesmo sabendo que o sofrimento faz parte da nossa vida, do nosso crescimento. Mesmo diante do que me atormenta, algumas vezes sou capaz de lançar a minha alma ao vento, e correr pro o que está destinado. Tenho medo de ser julgada, porém, nessa vida, o julgamento é a arte que se aprende na escola. Deito – me na relva e deixo a brisa passar pelo meu corpo como sinal de encontro. Vislumbro situações, exagero no erro da encenação, me perco em mim mesma para me achar depois, assim, um pouco sozinha e com um universo de dúvidas. Estou tentando aprender a dizer sim a mim, e principalmente, de perder os medos. Esse medo dá nó na garganta e deixa um sabor amargo na boca. Penso que muitas vezes tenho mais medo de mim do que do mundo. O Universo, afinal, sabe o que nos envia, e nós, sabemos como aproveitar? Se eu hoje cair nos braços do que faz minha alma acalmar, sei que alguns dos meus medos virão à tona, mas preciso. Preciso? Muito. Quero essa plenitude de pensamentos e desejos mútuos. Não posso deixar para amanhã, pois sei que, quando o amanhã chegar pode ser tarde demais. Posso ter perdido o que mais quero ter, não é material, isso, pouco me importa, mas esse mar de amor que encontrei, isso, tem que ficar. Que alguns meses venham pela frente, mas os meus MEDOS, enfrentarei todos, só pra ter, mais várias vezes, você em mim.

C.L.: 24 de outubro 2011.

Entre escalas no aeroporto, com o choro preso na garganta. Canto.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

De repente, novo

Não sabia que seria assim, nunca o soube. De uma conversa já tão tarde, um convite, uma vida. Não existia a preocupação de querer algo, de fazer, pensar, sentir. Ali estávamos corpo e alma, para a mais tranqüila das ações. O dia amanhece entre vidros e fotos, caminhamos. Em um piscar de olhos, juntos, estávamos, uno. Naquele momento nada era profundo, apenas extravasávamos emoções que tínhamos.

Uma tarde sem pretensões e ali estávamos novamente, pernas e taças, sorrisos e conversas. E assim, com o doce e delicado ar de quem cuida, cuidastes de mim e fez morada no coração. Cuidamo-nos, durante dias, e a pressa das relações atuais fizeram-se presente com mudanças nas rotinas. Seduziu minha alma e levou meu corpo para perto. Perto demais que nos faz juntos todos os dias. Os compromisso da vida a dois já existem mas sem previsão de prolongamento. Um oceano nos afasta, tanto mar, tanto mar, sei também quando é preciso, pá, navegar, navegar.

Teus cabelos ao vento, o sorriso de menino, o coração pisciano, o amor que me dá, antes, nunca havia tido, e isso faz-me bem. Sentimos as mesmas coisas, completamos nossos corpos quando estamos juntos. Cuidamos.

Aquele sonho que um dia tive, junto com amigas, do nosso Chico, o cara da nossa vida, tive a certeza dia desses, que é. Abrimos nossa porta para o que está crescendo, você provocando transformações em uma pessoa que não consegue se abrir, que tem medo de perder a liberdade, que às vezes não sabe dividir. Eu, provocando o renascimento do amor que em ti nunca morreu. Eu que não acreditava no amor, arrisquei.

Um novo momento, uma nova percepção, um novo gosto. Gosto do gosto de ter você, gosto da forma rude que faz piadas, dos nomes doces que me chama ou escrever, do seu cabelo preso, do seu empenho em agradar, do jardim que estamos criando, deixando nossas flores no caminho. Minha porta estava fechado quando você empurrou e entrou, girassóis para mim.

Quero florescer esse jardim, abrir as janelas da casa, deixar o sol entrar e rir. Rir de nós pelo contentamento existente. Que a vida nos brinde e que nós brindemos os encontros casuais que proporcionam mudanças, e paixões.

C.L. 29/09/2011 – Para meu anjo mais lindo

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vale um texto

título oriundo do momento de banho, aliás, no qual normalmente crio minhas teorias)

Uma garrafa que não abre intencionalmente, aberta para saudar a chega ao céu de mais um personagem. Existem pessoas, e OS PERSONAGENS. Esse personagem de hoje, melhor os personagens de hoje, me fazem reavaliar algumas coisas, mas também promoveram copos, cigarros e sim argumentações.
A liberdade de escrever e só quem tem interesse lê, não tem preço.

Ok, voltamos. Garrafa aberta, uma trilha sonora, e não estamos produzindo nem sons se quer ruídos. Mas há tempos em que esses começam, e ficam profundos, talvez densos, muitas vezes sarcásticos, e no final, pensativos. Copo, gelo, música. Em algum momento, cósmico, inicia-se a discussão, várias milhões, resumirei. Sobre o outro, que nem aqui está para se defender. Sujo? Não. Afinal fazemos isso o tempo todo, faço. Nomes, enredos, mini histórias. Ok, compreendo, e começo a me transformar na advogada do diabo. Ele não sabe o que quer, pra onde vai e como vai. Uma viagem, e ai? E você? Há tantos anos neste mundo sabe o que quer? Isso é assunto para o próximo ano. ENCERRAMOS O PRIMEIRO BLOCO SEM,CLARO, UMA RESPOSTA. Ninguém me perguntou o que eu quero. Advogando, diabolicamente, a favor do mundo. Voltamos às discussões socialmente-políticas-por-que-afinal-eu-tenho-mais-conhecimento-que-você –de-onde – você-é-mesmo? E continua. Naquele dia, não, ele não estava feliz no local, com nada, e todo aquele problema da semana, e nós no bar, no qual não podíamos fumar. Em uma atitude de rebeldia, ele jogou fora a guimba do cigarro no copo, e eu disse: mas isso é uma atitude desprezível, REPUGUINANTE. Que falta de educação. E ele responde: já fiz pior que isso. Ele – agressivo, alguns drinks a mais, uma impotência infinda, tolido, perdido, morte. O outro: mas o quê? Enfim, na noite, claro, não acabou ai. Voltando ao presente, respondo: Ok, voltamos a discussão do RESPEITO, certo? Right! Então, da mesma forma que você não aprovou a atitude, certo? Eu também não. Mas vamos pensar por outro ponto de vista: quando eu vou usar o seu escritório, para internet, preciso limpar tudo, colocar coisas em ordem (limpar, assim, achando subentendido), para poder usar. Isso não cabe comparação. O que ele fez é sujo, as pessoas vão beber naquele copo. Ops! Ninguém vai limpar????? Hummmm..... Mas arrumar papéis é diferente. Você realmente acredita que sãos só papéis? Dentre outras coisas, você dá descarga com a tampa levantada, jogando bactérias para todos os cantos! É verdade? Aprendendo. Mas só isso? De nada adiantou o que eu disse????
O que é difícil em ver que a rebeldia de um é a mesma do outro dependendo do ponto de vista de cada um? Eu jogo guimba de cigarro em copo, vou lavar, isso não é pecado. Agora manter uma casa inteira suja (yessssssssssssss dirty!!!) sapatos jogados, camisinha na banheira de uso comum, papéis higiênicos que você não sabe muito bem a utilização (!!!)em cima da mesa do escritório, enfim, bagunça, é muito diferente disso. Não, não acredito, não concordo. Olhe a vida por um outro olhar. Não, pra ele infelizmente não é possível.

O assunto continua. Papos, copos, música. Uma certa impaciência minha em agüentar soberania cultural inútil.

Mas você viu o que está acontecendo no MEU país? Pessoas acham que eu estou conservador. Pense que mudar de opinião é conseqüência de mudar atitudes internas. Hummmm.... Mas eu preciso falar sobre isso, e apenas disse, I don´t know. Pelo menos você disse algo. Precisa pensar. O mundo está em movimento de libertação, mudanças. Ok. Mas estou falando do meu país, onde essas coisas não acontecem. Essas coisas só não acontecem na Suíça. Hummm. Você já falou das dificuldades dos outros em encontrar os próprios caminhos, por não estarem abertos a mudanças de percursos, talvez porque essas pessoas tenham medo de ser assim, easygoing like you. Eu não sou assim. Sou agressiva, nervosa, tensa, mas estou tentando mudar, tenho metade do caminho andado, já percebo o que sou, e lá, ele, também, auto – analise, isso é muito gratificante. Hummmm.. Sabe, tenho dificuldades com esse orgulho de ser de algum lugar. Quando você chegou aqui falou muito, nós, brasileiros, fazemos isso, ou aquilo. Pois é, fazemos, e eu sou assim. Mas você are a such england. E eu tenho que respeitar o que você é. E você a mim. Mas acredito que hoje falamos assim porque sempre fomos tão mal vistos pelo mundo, apenas as gostosas do samba, bando de piranha, incapazes, bandidos. Quando hoje consigo ver a evolução, eu tenho muito orgulho, sim. E você, por favor, é extremamente de onde veio, can you see that? Não, eu não tenho esse orgulho... Mas deveria. Do que adianta fugir de onde a gente vem, se vem conosco? A essência, my dearling, tá na criação. Não por ser filho de militar, ele, aquele lá do início da conversa é como é, aquilo, é o que ele é. Você também pertence a uma família de militares, e hoje, com a idade que tem espera dinheiro da mãe... E esse é o medo que temos. Ser assim. Como você. Ah, você não acha que o Brasil é bunda, carnaval e violência? Mas claro que não. Você se quer deu ao trabalho de saber quem nós, gentinha, somos. Se hoje falo o que fazemos e gostamos ou o que culturalmente fomos doutrinados, é para que você amplie seus conhecimentos. Jamais falaria isso. Eu não como comida de outro país? Nunca! (pior alguém que vive há 5 anos em um lugar no qual a língua oficial é o português e apenas emite sons)Estou totalmente aberta às mudanças. E ele, também. Só precisamos cada, de tempo para refletir sobre cada pessoa, palavra e atitude que tivemos. Quando eu falo tudo isso, falo alto que para meu inconsciente ouvir. Repito pro outro e pra mim.

O que você sabe de onde e como eu venho? E a sua capacidade de ouvir? O que você sabe de onde ele veio? Faz parte da pauta a vida alheia por que você não pode ser. Afinal tens uma vidinha tão capitalista – conservadora – dinheiro- na – conta – toda- mês. Se assim fosse, o que estaria eu a fazer aqui? Mom is working, for u baby. Let me wired some Money for your crazy nights… Que se foda meu inglês. E assim você segue sua vidinha medíocre e ainda compara aos.

Mais um copo, mais um monte veja a si mesmo, e uma saída. Pessoas desesperam-se diante da falha. Eu sei.

C.L.: uma conversa entre culturas distantes, uma aberta, ou fechada. Aproveita-se dos sabores locais escondendo o prazer. Por quê?História confusa, é isso. Sem revisão, com emoção.
10/08/2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E nos ensina

Durante os últimos meses vivi um processo intenso, e ainda vivo, de aprendizado. Se ficou alguma coisa só saberei quando passar por situações semelhantes, e espero que tenha sim mudado algo. Ouço as vozes que vem da sala na qual não escolhi estar, com pessoas que não escolhi dividir a vida, por isso, recluso. Desde o primeiro momento que meus pés tocaram novamente esse solo tive a certeza que nada seria como antes. Primeiro telefonema e a empresa já não estava no mesmo lugar. Segundo telefonema e a recepção foi fria, como não era, terceiro telefonema e uma negativa. Qualquer pessoa minimamente observadora já teria percebido que esse momento não seria como os outros. Sem casa, sem o amor, sem previsões. Começa então o processo de interação com o ambiente velho, mas ao mesmo tempo novo. As pessoas não são mais as mesmas. Não? Claro que são ,só que agora sem máscaras e todas caem a cada dia, sempre mais e mais. A falta de permanência, e diante disso, do completo descuido hoje tenho que ouvir que a culpa de tudo é minha. Mas como minha? Durante os dias e as horas as pessoas trataram-me como qualquer coisa, com o pensamento de que eu estou sendo paga com peso de ouro. Mas que ouro? É um pensamento muito pequeno achar que por pagar um salário a pessoa deve ser seu objeto. Esqueceram que pagam mais por utilização do cérebro. E enquanto isso os dias esfriam e ficam mais densos. Mantemos uma relação de pura implicância, apesar de não termos mais idade para isso. Não nos suportamos, mas vamos fingindo. Essa primeira experiência ensinou pelo menos o que eu já no fundo sabia: nunca vá duas vezes ao mesmo local. Mantenha a magia. E as risadas da sala atrapalham a minha paz.

E as mudanças não acabam, permanecem enlouquecidas. Descubro a cada dia quem vale e quem não, a pena, nesta vida. Alguns que se fazem santos, são verdadeiros demônios. Outros simplesmente são o que são e por isso amados. De repente, nesse mundo paralelo, nos sentimos vítimas de situações das quais nada temos a ver, somos apenas a PONTE para as reações, pois assim, ninguém carrega a culpa, até porque, nessa terra não há culpa que se carregue... Talvez os anos de guerra os fizeram selvagens para sobreviver. Eu não tive guerra, não a conheço e não sei lidar com isso. Minha guerra é interna, de mim, comigo, para me libertar da pessoa que não presta e transformar tudo em O que presta. Corto pessoas da vida, incluo outras, sobrevivo e vivo. Vejo fraquezas e decepções. Pessoas são assim. Melhor seriam se admitissem a fuga ou a vida. Tenho hoje que conviver com pessoas medrosas, pueris, instáveis, fracas. A fraqueza me dá enjôo. O medo me causa raiva.

E o que será que me ensina, essa vida? A ter mais compaixão, acredito. A tentar concentrar e seguir. Ser mais calma e paciente. Ainda não me sinto nesse caminho do meio, as provações são tantas. A vida é tão linha reta e as pessoas tão previsíveis. Mas nessa estrada encontro quem me faça diferente, pensativa e contestadora. Gosto disso, preciso. Vou vivendo com plenitude, cada momento e espero ter no futuro a resposta de que toda essa tempestade mudou alguma coisa, em mim.

C.L.: de mim para mim, espero realmente que...enfim...
08/08/2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A ponte

Deveras tardio, sim, sinto que compreendi meu lugar nesse mundo. Confesso que essa posição não é confortável, mas deve me engrandecer de alguma forma que ainda não entendi. Tenho hoje a clara, transparente e sensível sensação de que sou PONTE. Exatamente como a palavra descreve, no meu entendimento: caminho entre dois pontos seguros. Começamos pelo ponto da dúvida, receio, medo, instabilidade. Do outro lado a certeza mais que absoluta sobre tudo. No meio desse trajeto a ponto com águas turbulentas abaixo. Não é firme essa ponte, menos ainda segura. Ninguém sabe bem como ela pode funcionar no percurso, mas ao chegar ao outro lado, talvez pensem: era disso que eu precisava.

As reações mais controversas e intensas acontecem comigo, no meio da travessia. Não, não disse que seria fácil, aliás, tem uma placa na entra dizendo: cuidado. Mas mesmo assim tem quem arrisque. Ninguém fica sentado ali tentando consertar os buracos da ponte, apenas passam. Sinto-me hoje como o caminho que leva a transformação, sem ser transformada por nada nem ninguém. Talvez a força da NATUREZA o faça, sutilmente, faz. Não existe quem tenha passado por mim e tenha se mantido exatamente igual. Os que se permitiam ser pisados, hoje gritam. Os que gritavam, hoje ou gritam mais ou falam manso. Aqueles que tinham dúvidas sobre o caminho a seguir, pisaram em terra firme de certezas. E seguem seus caminhos. Mas que isso, talvez, sirvo como ponte para trabalhos, intuições, amores. Sou a Botafogo das pessoas: bairro de passagem, mas algum sentimento há de ficar.

A ponte precisa de reparos, de festas no entorno de amores que ficam. De quem cuide dela e a faça firme, talvez, eterna. Essa ponte como faz com os ouros, também precisa ter a certeza dos lados, dos perigos, mas principalmente, essa ponte queria existir.

CL.: ainda por acabar...a ponte...o texto...

4/8/2011

Olha

?
Olha. Dê apenas uma olhadinha pra o lado e veja o seu espelho respirando e agradecendo pelo seu dia de hoje. É. Não foi fácil, mas é disso que o espelho precisa para ter motivos. Você sempre dá motivos para as pessoas que precisam dele. Idiota. Olha. Aquele que mudaria a vida não veio e sabe-se lá se virá. Idiota, você, não percebeu as dicas? Pense. Não, você não pensa, você é idiota. Olha. Do outro lado da porta há vida que preste. Não vês? Idiota. Olha. Esse frio na barriga não é à toa, tem motivo, tem segredo, tem culpa. Pois, o mundo disse-te, fica, mas você arriscou. Idiota. Olha. Aquela lá vai continuar assim, não se espante, é dela, há de ficar com ela. Se é realmente inato ou se a culpa é sua? Idiota. Olha. A ligação só vem para se dizer amigo ou para pedir, nas boas horas ninguém precisa de você. Apenas nesse mundo? Idiota.Olha. Aquele movimento de vigiar só existe porque você deixa, você alimenta, contempla. Acha mesmo que não deveria ser assim? Idiota. Olha. Não te pedirei mais para olha. Pedirei para enxergar. ENXERGUE, I-D-I-O-T-A.

Ponto Final

. Todas as verdades que deveria te dizer já disse, em verso, prosa e corpo, não há mais o que expor. Fiz de mim jardim, de você castelo: de areia. Agora não quero mais, não me sinto capaz de se quer querer. Vou fluindo com o mundo sem pensar no que seria ou poderá ser. Por semanas estivemos nitidamente separados, nem em sonhos tive a sua presença. E entre palavras pesadas e desapontamentos fiz de você passado, sem futuro, e presente indeciso. Caminhei durante longas tardes imaginando você, sorriso, coxa, olhar e cheiro com girassóis de presente, para mim.

Plantaríamos flores de nós nos jardins que passássemos, abriríamos vinhos, portas, mentes. Seriamos dois independentes mas uno pro universo. Seriamos, não seremos, não somos. A língua que antes entrelaçaria em afagos e músicas, hoje se mantem intacta e ferina, plana e distante antes adoçava com trocas e delicias.

O ponto final está dado. Digo adeus com peso, mas eu sou peso, sou escuro e tensão. No medo de te perder também fui tudo isso, querendo que um abraço de somos viesse. Mas não veio, já tinha perdido. Criei a expectativa e ilusão que mudaria, mas não mudou. Desejei do fundo do meu coração ter mais um dia para sonhar, outro pra acreditar, e tantos para me embrenhar.

Desejei. Inteiro.

CL.: .
4/08/2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Licença

Você não acha? Pois eu acho que devo te pedir licença sim. Peço a permissão pra gostar do meu jeito, de esperar enquanto me for possível, de acreditar em qualquer sonho que venha. Não? Mas essa vida é minha, e farei dela o que quiser. Sentirei nela o que me aconchegar. Mas porque tanto receio do que eu sinto? Deixe-me assim e fique por ai com seus feelings. Infelizmente não consigo crer que você ache isso um problema tão grande, afinal, que deverá lidar com as frustrações sou eu. Arruma-se a casa em que dormimos para que venha uma manhã de sol morno. Sim, metáforas, gosto delas. A sua concretude não conseguirá abater o que está aqui. Deixarei você e seus vícios, desejos, medos, objetivos ai, nesse cantinho, mas manterei a mão estendida para quando você precisar. Claro, respeitarei, mas não posso ser tolhida de sentir, já disse isso. O que me faz continuar sentindo? A certeza do encaixe. Nem é uma necessidade física de dividir vida, é mais a absoluta certeza do encaixe que se traduzirá em felicidade plena. Amigos têm encaixes perfeitos, não é? Não estou fugindo do contexto, estou assumindo e digerindo, só isso. Falo, claro que falo, quando convém. Mais um café, por favor? Oi? Hein? Que seja. Acho que você deveria vestir as roupas que lhe couberem melhor. Eu cá tenho as minhas e de certa forma elas me aquecem. Não precisa se despir para tentar me fazer sumir, pode pedir, mas peça com a certeza absoluta de que você quer. Mas eu não parei aqui por você, foi você quem veio a mim, lembra? Eu estava naquele lugar, naquela hora, sozinha, livre, feliz, e você apareceu. E foi você quem me pediu. E eu disse sim. Se diria de novo? Para que você quer saber? Acabou de dizer que eu deveria seguir as rotas traçadas com as mãos vazias, e farei. E sabe por quê? Quero ver você feliz, e se a felicidade agora é essa busca pela identidade, faça. Se encontre, e depois, quem sabe, nos reencontramos. Já falei a você que acredito no destino e no universo, e o que estiver lá escrito, não tem quem mude aqui.

A licença é minha, eu dou e eu retiro. E agora, nesse momento da vida, eu escolhi ter a licença para sonhar.

C.L.: ouvindo por ai... ao som de Tanto mar - Chico Buarque
22/07/2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Caminhos

Passamos os últimos dias sem muitas conversas ou intimidades, aliás, andamos assim nos últimos. Em algum momento leio em mim as ações que talvez você esteja realizando, não tenho lá muita certeza sobre elas, menos ainda se a minha imaginação está de acordo com a sua atitude. Uma despedida, uma palavra, uma nova chama. Foi assim há poucos dias, será assim novamente? Imagino que entre as minhas tortas linhas você venha para saber o que se passa nesse coração, para entender qual atitude tomar quando nossos pés estiverem na mesma terra. Talvez aconteça o simultâneo, talvez não. Talvez o universo nos queira juntos, talvez não. Talvez só eu queira, talvez, não.

Quando interrompo meu cronograma de vida diária para pensar no bem que você poderia me fazer, perco algum tempo nisso, sem se quer ter a certeza da recompensa. Consigo ouvir aqui dentro que uma atitude como essa faz com que se perca o foco. E nesse momento o foco é seu maior escudo. Certo. Concordo. Não há nada melhor que prevenir a dor. Mas abro-me para isso. Eu preciso, sou muitas vezes envolvida nessa paixão que a vida me dá. E sinto-me bem assim. Mas em invernos rigorosos que minha alma anda passando, gostaria muito de um verão temperado para abrandar as emoções. Um jogo de pernas e quadris, uma troca de idéias e amadurecimentos.

Ainda acredito que você venha me ler aqui. Leia mesmo. Devore. Posso ser a sobremesa ou o prato principal, depende do dia e da hora, da sua vontade. Mas as minhas vontades sobrepõem os seus objetivos. Ou caminhamos juntos ou afastamos mundos. Podemos caminhar em paralelo, sem toques, sem ofensas. Mas se essas estradas cruzarem-se por ai, isso eu tenho a certeza, que criaremos caminhos dignos de cuidados e flores, cores vivas e chuvas frescas. Abra-te, que me abro também.

C.L.: depois de um gostoso adeus.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Sempre. Mas não pra sempre.

Em tardes de chuva fazia aquela Solidão que se instalava e ficava. Fazia. Não era. Nem pra sempre, nem pra daqui a pouco. Apenas fazia. O sofá, a TV, as músicas na cabeça que relembravam momentos únicos estavam por ali alimentando o que fazia a Solidão. Não havia maneira dela se livrar, de se libertar do que A fazia, mas pensava nas maneiras para terminar logo a ação. Mas passavam tardes, com sol, com chuva, com neblinas – ela adora neblinas- e a Solidão voltava com força sem igual, que a fazia ação. Fazia, mas não pra sempre.

O que fazer (de novo a ação) para terminar com essa fúria desorientada que chegava, ganhava e depois ia embora se explicação? Mais uma vez perguntas. Como dominar essa imensidão de desatinos, sentimentos e repudias? Não sabia. Tentava incontáveis vez decifrar os motivos avassaladores que tomam as rédeas dessa tal solidão. Um copo de chá, escritas no céu, neblinas densas. E a chuva caia, como se o céu algo quisesse dizer, a ventania que sacudia árvores, casas e terra, balançava dentro dela, como um balé desorientado, sem risco, sem giz.

Contudo, nada mais era que um momento. A permanência das vias íngremes não eram assim tão permanentes, havia mudança em qualquer lado, gosto, amargo. Sabe-se que sempre não há de ser para sempre. Aquela solidão arrebatadora como chegava esvaia-se. Assim como qualquer outro desses tais sentimentos humanos que chegam sem avisar, tomam posse do terreno frágil, porém, em algum momento cansam do que vêem e partem. Talvez a terra aparentemente frágil abrigue um terremoto de proporções inigualáveis e varra da sua existência tamanha invasão. Sempre. Mas não pra SEMPRE.

C.L.: Saiu, como sempre.

Iniciado em 08/06/2010 – finalizado em 06/07/2011 em momento de catarse.

Do que

Retaliações. Vivo essa constante, ou por conviver com frágeis pessoas que não conseguem me enfrentar por cima, ou por provocar reações de desprezo. Ao certo, não sei bem de onde vem. Mas as sofro frequentemente. Nada como dois dias de interiorização e letras para colocar estratégias nos seus lugares. Tenho alma de artista e coração de criança, devo conseguir chegar a uma conclusão razoável quando me refiro as RETALIAÇÕES.

De repente retalhos. Um apanhado de pequenos pedaços que juntos podem ser tão bonitos quanto feios. Esses retalhos de vida que vamos juntando e transformando no que somos surgem impregnados de sentimentos que colocamos em cada um deles. Crio mudanças e raivas, mas também admirações e inspirações. A cada retalho pregado na minha colcha uma pessoa é marcada como conseqüência direta da ação tomada. Talvez deva pensar dessa forma para poder entender melhor as situações que vivo. EU VIVO. Cada minutinho, e dentro da confusão na qual estou, tento achar saídas para encaixar cada retalho, nesse imenso labirinto. Do que vale todo esse esforço? A fraqueza na percepção não cabe a mim. Resolver as minhas questões isso sim, é questão de honra. Me submeter, abaixar a cabeça e deixar o outro acreditando na sua imensa CAPACIDADE de manipulação é a solução? Talvez. Muitos vezes é melhor fazer o outro acreditar que é tão perfeito, tão capaz, tão MARAVILHOSO que ele mesmo se come.

Devagar vou reformando esse retalho, em tons de azul, para me aquecer de lembranças puras nos anos que virão. Colcha leve, quente, pura, e MINHA.

C.L.: Aos seres humanos incapazes de digerir verdade e agir limpos.
06/07/2011.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Aparências

Nunca fui uma mulher de viver de aparências. Pelo contrário, penso que a vida simples e todas as dificuldades fizeram-me mais serena quanto a isso. Mas também não sou parva. Nunca gostei de viver numa sociedade de sobrenomes e cargos, isso me irrita. Acredito que mérito vem com caráter e obstinação. Tenho vivido dias inteiros nessa redoma que muito me assusta, na qual os cargos, sobrenomes e com quem você divide a vida prevalecem. Jogos de interesse transformam a vida numa Matrix insólita. Não há verdade, nem bases, nem verdadeiros sentimentos, afinal, quem chegar melhor, leva a taça de amigo e respeitável do ano. Não sou assim. E gosto de quem também não o é. Deve ser muito pueril, e até inocente da minha parte acreditar nisso. Mas é assim que eu vivo. Vivo no mundo dos vivos que cagam como eu, tem meleca e fraquezas, arrotam quando tomam refrigerante e possivelmente fedem depois de um dia de calor. SERES REAIS são assim. E tem quem goste e alimente essa doce ilusão do status. Na hora da morte seremos, mais uma vez, todos iguais. E talvez aquele que viva essa ilusão se quer tenha quem segure a alça do seu caixão.

Ouço diariamente frases permeadas desses sentimentinhos, se é que os posso chamar de sentimentos, a necessidade de circular nesses meios de nomes, sobrenomes e canapés. Eu bebo cerveja na barraca, levo para o submundo e mesmo assim ganho respeito. Por ser real e isso ser algo tão distante? Talvez. Ou estarei imersa nessa falácia? Que seja. Tento alertar pessoas, mostrar que andar no gueto e apertar a mão do presidente são coisas dessa vida que não ficaram quando eu me for. Acabo por vezes também arrotando aquele caviar que é uma sardinha, talvez por raiva, talvez por defesa. Nunca vi tamanha NECESSIDADE que gera tanta perda. Foca, alinha, segue limpo e faça o seu. Estar aqui ou ali é momentâneo, a única coisa que servirá desses momentos será aquele nos quais olhamos nos olhos e vimos o que há do outro lado do corpo, e dentro da alma. Do mesmo jeito que te contratam te mandam embora, do mesmo jeito que te acariciam, tacam-lhe pedras, e do mesmo jeito que hoje está nas listas, podes estar amanhã no anonimato. ANONIMATO é bom. É tão gostoso sair por ai fazendo o que quiser e ninguém te cobrar. Role na grama, ria alto, abrace quem você ama, dê verdade, com o coração e a mente, sem pensar no que isso poderá render futuramente. Apenas troque com as pessoas, o resultado é absolutamente melhor. Quem faz por aparência, recebe por aparência. Fica no vazio dos sentimentos. Achas que um convite pra um churrasco na casa de alguém é mérito? É estratégia de compra, persuasão, conheça para dominar. Ou você entra na guerra ou dispa-se das armas. A escolha é sua, já as aparências, são múltiplas.

C.L.: Por muitas vezes acredito não fazer parte deste mundo, não sou melhor que ninguém, mas ainda guardo em mim a sutil ilusão de que há conserto.

"Crie laços com as pessoas que lhe fazem bem e que lhe parecem verdadeiras.
E desfaça os nós que lhe prendem àquelas que foram significativas na sua vida mas, infelizmente, por vontade própria, deixaram de ser.
Nó aperta, laço enfeita"

04/06/2011.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Enquanto

- para ouvir ao som de Nina Simone: Love me or leave me.
Não seja por isso. Te deixo sim. Ficaremos apenas como o que deveria. Não precisa dizer nada, está compreendido. Entendido. Claro, não quero nada diferente do que já foi deixado claro. Como? Não está entendendo o porquê? Nada aqui tem segunda intenção. O que está acontecendo não é o que parece. Oi? Quer dizer algo? Se começou termina. E terminou.

Passaram esses dias nesse conflito de medo – do – que – estou – fazendo – agora – será – que – dará – a – entender – o – que – não – pode – ser? E simplesmente não pode ser porque assim foi designado, esfregou em sua cara aquilo que já era sentido, e não precisava ser assim tão cruel. As palavras soltas do que deveria ser já haviam sido ditas, e mesmo assim, dúvidas permaneciam no ar. Talvez por ter a CERTEZA que a dúvida não era unilateral. Mas do outro lado do muro, que sussurro espreitava? Qual a verdade do som emitido? Será que o medo caberia aos DOIS? Talvez sim, talvez não. Impossível saber ouvindo só a sua cabeça. E através dos sons e do sussurro do mar o pensamento fluía de tal forma que já era impossível frear. Sentia-se confortável durante aquelas divagações dos próximos passos. Algo a deveria manter intacta, confiante, feliz. E escolheu o sonho do romance para mantê-la firme no seu caminho.

Será mesmo sonho? Poderia ser pressentimento? É melhor não pensar de forma tão otimista. Sabe-se lá o tamanho da queda. Já aconteceu outras vezes, o vôo até o chão, agora vê como saudável apenas caminhar. As alturas podem fazer certo mal a saúde. A sua SANIDADE. Mesmo assim conforta-se nesses pensamentos de que todos sabem – o – que – acontecerá- de – bom – e – estão – apenas – agindo – como – estão – para – dar – mais – emoção. Espera que seja, pois, sua alma está em inverno e o calor do verão precisa chegar. As flores querem a LUZ do SOL para abrirem-se. E ela volta ao seu mundo de sonhos , quedas e otimismo. A sua contradição permanente talvez seja a forma mais SENSATA de permanecer sã. E o livro ao lado diz: “ Things can only be better.”

Expõe – se para alertar o medo para que chegue devagar. Não procure, não olhe nos olhos, como já fez de forma tão intensa, não toque, deixe. Deixe que toda essa dúvida se dissipe com as fumaças tragadas e as noites frias. Mantenha-se no seu desconhecido confortável e bonito. Nas suas entranhas pesadas e doces. Na sua prepotência viril.

Deixe –se lá.

C.L.: no mundo dos sonhos, a felicidade é permanente, o beijo é doce, o carinho terno, e a admiração possível.

"Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega." Caio Fenando Abreu

04/06/2011.

Cecilia Meireles

Posso dizer que esse poema me traduz. E especialmente nos últimos acontecimenos e no que se passa na minha cabeça, é mais que perfeito. Esse é o tempo verbal da vida.

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Espelhos

Como se não bastasse às mudanças que andam acontecendo, em todos os aspectos,ter que lidar com a fragilidade humana é algo bem comum. Não fossem assim tão novas as pessoas envolvidas. Desde as experiências novas que jorram de dentro, o espelho no qual me vejo, até as vidas que me cercam. Dentre tantas ressacas morais que habitam minhas próprias atitudes, umas são perdoáveis, outras completamente necessárias, e poucas de arrependimento intenso. ARREPENDIMENTO, essa é a palavra que norteará essas frágeis, sim FRÁGEIS, linhas que aqui teço. Acredito que na próxima manhã aquele senhor estará arrependido da sua fraqueza, quer seja emocional ou cultural, isso ainda é um ponto a estudar, mas que existem, existem. De repente um amor pela cultura local o arrebatou, de forma a deixá-lo com olinhos brilhantes e postura servil. E assim ele segue durante 3 semanas, mas, por um momento, naquele dia em que teria a oportunidade de apresentá-la ao mundo, negou. E é essa a questão. Negou por quê? Pela falta de fluência desse amor a sua língua local? Ou por não querer perder a oportunidade de novas aventuras? Simplesmente negou e esqueceu-se de não deixar rastros. Fez tudo errado e envolveu outros na sua armadilha. Entendemos de certa forma a sua atitude, mas deveria ter sido leal. No fundo fica parecendo uso. Como uns e outros que abusam da sua boa vontade através da sedução. Mas ele gosta, gosta sim, daquela pele, da falta de entendimento de ser servil às vezes, sua cultura não o ensinou a isso. Mas gosta ainda mais do que recebe em troca. Deve ser realmente bom.

Toda a verborragia angustiante e insana daquela mulher surge como um atestado de dúvida pela minha presença. Arriscou uma grosseria, mas se viu diante de alguém melhor, e resolveu calar. Mas voltou a falar sobre o assunto que se quer deveria fazer parte da conversa comigo, afinal, roupa suja se lava no quarto. Não devemos nos expor assim. Sentimentos. E os desentendimentos permaneceram, e ela não estava errada, mas quer muito mais do que o que já foi informado. Sinto-me como ela, uma paranóia ambulante remanescente de tudo aquilo que já vivemos. Temos a capacidade de fazer melhor, e porque não fazemos? BOICOTE. Boicotamos-nos o tempo todo por pura insegurança de onde isso acabará. Acabamos antes que acabem conosco. Criamos ilusões só pra ter uma resposta segura sobre o inseguro.
Eu ainda tenho esse resquício em mim, dessa greve geral. Tento acabar mas não consigo. Me jogo no extremo de mim mesma, num sub mundo meu, e quando de fato realizo a fantasia, corro. Fujo da minha verdade, deixo de entregar-me por puro trauma, que eu criei.

Mas nesse mundo onde tudo gira e as impurezas escondem-se embaixo do sofá, seguiremos a vida. Que ele amanhã não tenha ressaca moral, e ela saiba ser mais leve com as incertezas. Que tudo flua ou acabe, mas que se resolva quando anoitecer.

C.L. 27/06/2011 – eita vida.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Tem, mas não há

Os dias andam tensos e sonoros, leves e desgastantes, vivos e preguiçosos. Feijão feito, temperado, casa com aquele ar de meu: temperos, sabores, silêncio. São 20:40 e a cidade parece dormir. Terça – feira, amanhã labuta, depois também e assim segue. Deixo a comida quente esfriar para escrever linhas tortas que me levam a mim. A paz. Sem paz.

Eis que volto ao ato de aqui colocar as tais letras que me libertam. Pois. Feito. Comida ingerida, pensamentos ruminantes, aqueles tais de sempre, e alguns novos, pois, afinal, estamos velhos. Nunca o pesar foi tão presente. Nunca a certeza foi tão aguda. Um café, por favor. Não, já está tarde, permaneceremos (eu e Ele) com o suco de maracujá. Em minutos uma ligação, descobertas, não apenas falar, mas certificar-se de que tudo o que foi deixado lá, do outro lado do mundo, em perfeita ordem está, ou seja: se Tem mas não há.

Tem, mas não há, uma expressão que por mais simplória que seja, faz certa diferença quando pensamos um pouco mais. Tem AMOR, mas não há. Não há a troca, o beijo, o despertar junto. Mas tem amor, muito amor. Tem esperança, mas não HÁ. Não há o que esperar, o que procurar, mas ESPERANÇA há, e muita. Quantas coisas com as quais vivemos e convivemos, tem mas não há? Tem EDUCAÇÃO, mas não há. Não há respeito pelo outro, menos egoísmo, mas educação, graduação, pós – graduação, há, e muita, mas não TEM.
Esse dia correu imerso nesses pensamentos sobre as relações humanas, que tem, mas não há. Há dias rumino esse ser que esbarra, foge, teme, anseia por uma liberdade que está dentro dele, corrompe, ignora o semelhante,chora, arrisca, canta, dança, anda e CAMINHA. Mas pra onde vai? Como? Existem perguntas que não valem a resposta. Tem respostas que definitivamente não valem a pergunta. Deixarei que subjuguem minha capacidade de raciocínio e farei desse momento a minha tese de vida: a dois, três, quatro, comunitária.
C.L.: 14/06/2011. Assim.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A mudança

Enfim, o dia esperado de mudar de casa para uma aventura realmente nova chegou. Uma terça-feira quente, dessas com muitas atividades e pouca paciência. Mas vamos lá. A empregada diz que vai à antiga casa, onde tudo está empacotadinho, e não aparece, aliás, não apareceu nem nos dias que deveria ir. Arruma-se outra pessoa para fazer a limpa no cafofo do Sr. Almeida. Esse, inclusive, merece um parágrafo.

Um velho (com cara de, mas deve ter no máximo 52 anos) senhor, militar aposentado e POETA, com 3 filhos crescidos, assim como o número de casas. Sr. Almeida tem ATÉ livro publicado. Aparentemente, gente boa. O Sr. Almeida, dentre as casas que possuem, tem 2 no mesmo terreno, o apartamento no mini prédio da frente e a casa na qual reside ao fundo. O Sr. Almeida faz gato na própria casa que fica no mini prédio, que foi descoberto pois ESSA moça aqui vivia lá, E por causa dos problemas com a água, desligava todos os dias a luz geral da SUA casa, mas descobriu, através do filho do Sr. ALMEIDA que desligava a luz da casa deles também. O Sr. Almeida aluga o apartamento à Federação de Futebol, que coloca quem quer lá dentro, inclusive por um valor acima do pago ao Sr. Almeida (isso descobri, pois, o dito dono da casa me entregou o CONTRATO de ALUGUER). Pense que a FEDERAÇÃO não paga o dono da casa, logo, quem ele resolve cobrar? A pessoa que ele entende como não sendo da federação, e que afinal não deveria estar ali. Visualizem o Sr. Almeida, espreitando a minha descida para cobrar o pagamento. QUE NEM SOU EU QUEM FAZ! Mas agora dei adeus ao Sr. Almeida e sua água que nunca funciona direito, seu apartamento escuro e vazio de decoração, pois, só tem móveis se quem estiver lá PAGAR extra por eles. Este foi o motivo para receber o contrato...

Voltamos ao novo apartamento, Rua. John Issa 275 – Apt 4, Centro de Maputo, vista para um jardim incrível e com uma varandinha linda. Casa toda equipada, com história nas paredes, cheiro das pessoas, casa com cara de casa. Mas não é só minha, tenho apenas um quarto nessa imensidão, e um espacinho na cozinha, mas vou me espalhar. O espaço é alugado por um inglês, desses também com 52 anos, mas parece ter muito mais (concluo que só brasileiros tem uma carinha nova pra sempre. Ou é a água ou o carnaval que fazem esse bem a nossa pele). Quando cá vim a primeira vez, tudo certo, ele disse que tiraria coisas do quarto...MENTIRA. Chego e embaixo da cama tem um monte de tralha, dessas que você nem consegue distinguir, e deparei-me com um cheiro atípico, não sei bem do que, mas não me deixou dormir a noite inteira. Plano 1 do dia seguinte: arrumar tudo e comprar qualquer produto muito cheiroso. Plano traçado e com deadline certo. FIZ. Nesse momento, o meu quartinho é o lugar mais cheiroso da casa. E as tralhas? Desapareci com todas. E amanhã, abrirei a caixa de Pandora para o dono dar um sumiço descente a todas elas. Deixe a energia fluir. A limpeza foi uma daquelas. Varri cada cantinho, passei pano em tudo (menos no quadro ridículo com a Elizabeth Taylor que fica atrás de mim), joguei coisas no “lixo”. Ou melhor, coloquei à disposição do lixo. PORÉM, no meio desse objetivo, quando adentro a casa me deparo com o GRINGO e uma “amiga”, da terra, jantando juntos. Fiquei extremamente sem reação, afinal, acabei de chegar, vou sentar à mesa do dating? Acho que não. Melhor não, e nem vou explicar-me. Ele puxa conversa, e eu to lá na cozinha arrumando minhas coisas, as quais deveriam caber num pequenino armário. Tolinho, me espalhei um pouco mais. Sei que a conversa entre o casal estava difícil, de um lado o português era ruim de mais (mas pro objetivo principal, funciona) do outro o inglês não existia. Enfim, um QUERO formalizou a mudança da sala, com aparelho de som e tudo, para o quarto. Sim, eu tenho fone de ouvido e as paredes parecem até não ser assim tão finas. Mas ele abriu precedente.

No dia da mudança invadi a casa com mais três pessoas. Aqueles anjos que você arruma pela vida, e nunca te deixam na mão. EM homenagem aos anjos, tomei canja, que pra mim, é um sacrifício danado. Na volta ao novo LAR, encontro o dono com uma bata africana. É, um pouco estranho encontrar um branquelão metido a Zulu.

Pra fechar a noite do primeiro dia, até me ofereceram carne, mas neguei, é isso ai. Tive que ouvir do gringo que eu e a empregada dele precisamos nos conhecer, pois, ele parece querer que eu traga a minha pra cá...Entendo as individualidades inglesas, mas não dividir empregada, é um pouco demais. Vamos resolver. Nisso tudo aparecem duas meninas de Singapura para dormir na sala. PERA LÁ: SINGAPURA? Sim, sim, Couch surfer. Por mim, pode dormir à vontade, já estou caindo fora das minhas frescuras. Quando enfim acredito que vou dormir em paz, meu telefone toca, exatamente às 22h, e é o chefe pedindo mais uma coisa (tenho pelo menos 5 projetos grandes pra sexta –feira, sendo que, pra tudo é necessário tempo de produção) para a sexta – feira. No mundo dele, existe um gasto muito grande comigo que não está tendo retorno, penso eu. Mas sobre as atitudes HUMANAS nessa terra, isso é um capítulo a parte.

Com cheirinho de Relaxing Aromotherapy Fragance – KLIN, by Wings, produzido na Indonésia, vou dormir. E que venha amanhã. E que venha outubro!

C.L.: passo – a – passo dessa mudança, de vida, de sintonia! Um viva a nova CAROL LUZ que está vindo por ai.
08/06/11

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dois

Eram DOIS completamente diferentes, na essência.

Ele veio assim, observador, decidido, homem, blasé, inteligente. Acreditava em si mais do que qualquer um pudesse entender. Talvez, tivesse tantas incertezas que precisava esconder, atrás dessa capa de homem-que-sabe-o-caminho-que-quer-seguir. E ele caminhava assim. Fazia questão de seduzir a tudo e a todos, (to-dos) inflando seu EGO e sua alma. Caminhava bem. Até que as suas certezas fossem abaladas por qualquer comentário insólito ou mesmo qualquer dúvida dentro dessa fortaleza, certeza.

Ele veio assim, doce, jovem, reservado, incerto, inteiro. Esteve tão inteiro por alguns momentos que se perdeu dentro dele mesmo. Fez confissões, abriu portas, mas não as sustentou. Quis mas não soube querer quando era possível. Escondeu-se num mundo completamente seu, com sua rotina, sua casa, seus livros, SUA vida. Decidiu não dividir. Caminhava bem. Até que as suas certezas fossem abaladas pela reação que não esperava.
AMBOS não esperavam. E não esperam. Mas a reação que fizeram crescer é exatamente a que hoje recebem: NADA. Não há procura. Deixar a porta entre aberta é um risco que se corre. Não há declaração. Isso precisa vir dos olhos, não da boca. Não há. Pois eles fizeram com que não VIESSE.

Os dois juntos formariam um grande amor. MAS NÃO FORMAM. E não há escolha. A tal mocinha, resolveu não escolher, pois não há o que escolher. Um veio sem promessa, o outro com. Ambos vieram com o propósito de desestabilizar. Mas não o farão.

A mocinha, que pouco foi falada aqui, veio assim: coração fechado, cabeça no lugar, propósitos estabelecidos, e necessidade de esconderijo. Esteve inteira no tempo que lá esteve, e acreditava em si mais do que qualquer um pudesse entender. Fez confissões, abriu portas, talvez, tivesse tantas incertezas que precisava esconder, escondeu-se num mundo completamente seu. Decidiu não dividir. Caminhava bem. Até que esses caminhos se cruzaram, e transformaram a mocinha em MULHER. E a mulher caminha, sem pretensão, sem pressa, sem expectativa. Ela cria a vida que em si, e mobiliza-se a favor de si. Pode até reabrir as portas, mas enquanto o terreno não está totalmente preparado, segue sua rotina com ambos em seus lugares. SUAS vidas.

C.L.: e assim caminha, e caminhará. Decidida, certa de sim, no seu mundo.

Em tempo de mudança, a gente voa conforme a maré. Desse jeito.

Não que fosse estranho, mas realmente, é novo. Tudo sempre tem seu momento de NOVIDADE, já que tudo é mutável. Nessa nova fase que se instala, a minha vida passará por uma grande transformação: EU e um outro, dividindo apartamento. Medo? Nunca, ansiedade. De acertar, de ter feito a escolha correta, de me superar. Penso que a SUPERAÇÃO, é o mais importante para o momento.

Todas as mudanças estão completamente sob o meu COMANDO. Ninguém escolheu a minha nova casa, menos ainda meu novo parceiro. Foi uma escolha só minha e da minha intuição. Jamais pensei em dividir casa com alguém que se quer conheço ou que não tenha nenhum laço afetivo comigo. Mas vejo essa MUDANÇA como um bom começo para aprender a DIVIDIR mais. Sou filha única, com manias e vontades, mas sei respeitar, penso eu. Essa será a prova de fogo para essa VERDADE. Tenho mais de 30 anos e NUNCA passei por essa experiência, e como o UNIVERSO é sábio, eu preciso disso. E o Universo também precisa desse novo eu que se explora e se abre.

Tenho recebido das pessoas, com as quais divido (achava) a minha vida, que nesse último mês, eu me abri, me dei, me dividi mais. EU. No sentido bom do eu, daquele que se vê, se entende, se explora, se entrega. Estou me entregando a mim mesma de uma vez só. LIBERTANDO vontades e carinhos que antes ficavam só em mim. Estou me jogando no mundo de cabeça, com os braços abertos para os resultados.

Penso, sim, eu penso muito, mas nem sempre coloco pra fora, que só a prática fará com que os resultados sejam alcançados. Estou no caminho do meio, tentando me equilibrar diante de tanta mudança, e agora, sinto-me plena para dizer que TUDO que estou recebendo é apenas para o meu bem –estar futuro. Não caberá nessa nova VIDA a dúvida, a incerteza, a insensatez. Mas CABERÁ, SIM, a despedida, a mutação, o olhar pra dentro, a COMPREENSÃO.

C.L.: Tudo posso naquele que me fortalece. Eu me fortaleço. O Universo me fortalece.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Deste lado de cá: Primeiro evento

Confesso, do fundo do meu coraçãozinho, que trabalhar comigo não é fácil. Faço cara feia várias vezes, apesar de tentar diariamente mudar, grito, me perco e me acho, mas, acredito, trabalho. Não fujo do pesado, pelo contrário. Gosto de estar na atividade 100%. E diante disso, as oportunidades aparecem e eu as seguro com toda força, mesmo sempre existindo um probleminha ali outro aqui... Mas sigo a rima, e nunca deixo de aprender (ou pelo menos tentar). Pois, que pela segunda vez em um país estranho, no qual eu não entendo protocolos e um dito RESPEITO, sobrepõe-se a qualquer coisa. Mais um evento pro currículo, um daqueles que ninguém sabe muito bem pra onde vai, daqueles gostosinhos que a desorganização é plena e você é quem deve organizar algo que já acontece há 2 meses! Tenta de todas as formas tirar as idéias da cabeça, já que, não há REDE para compartilhar as ações, e ainda, não há REGRAS que façam com que todos tenham HÁBITO. Após a reclamação que me é peculiar, seguem, então, relatos do dia, que enfim chegou, tão esperado e sonhado.

Eram exatamente 4 mil crianças, a esmo, num campo com o gradil da “melhor qualidade” para suportar qualquer exaltação. Todas elas faziam parte daquele estereótipo África (o qual eu abomino): negras, pobres e sem rumo. Deveriam estar ali com seus professores. Mas em países abaixo da linha do Equador, educação é tratada como interesse político eleitoreiro, nãos como prioridade. Não havia, não existia a figura com autoridade chamada PROFESSOR. Talvez (pra ser legal), os que ocupam o cargo, nem tenham ido. Eu não os achava. Apesar do evento não ser propriamente bonito, para aquelas crianças era um grande acontecimento. Nesse momento, ponderamos as nossas visões e interpretações das coisas: bonito porquê? Por ser a única coisa, aquele momento no qual todas elas sentem –se ALGUÉM. Caminhamos. Batendo cabeça por que ninguém me percebe, e eu não percebo ninguém (no sentido de entender, mesmo), mas a coisa começa a fluir. Meu sangue ferve, já que, não consigo perceber putaria e ficar quieta, afinal, se é tão bom, faz sozinho e se esqueça que vivemos em COMUNIDADE. Bem, sem café da manhã, sem almoço, apenas com as guloseimas que guardei para o meu staff, sem comida, ninguém fica. Babilônia formada, mas vamos. Queriam que eu me transforma-se em 3, não, não dá pra fazer mitose. Sorry lá! Nem sou onipresente. Mas mesmo assim, caminhando. Primeiro show. Começa. Surge criança do ralo, da areia, da grana, de onde você puder imaginar, elas aparecem. E passando por lugares nos quais poderiam machucar-se, correndo, e encostando na grade super segura. Pânico. Grito pra conter, e quando vejo estou fazendo segurança embaixo do placo, com crianças que correm, gritam, cantam, estão felizes! Mas meu pânico não diminui. Falo com a artista, e penso, “tenho mesmo que avisar?”. Sim, pois, nesse momento surge a questão: RESPEITO. Isso, não há. Para definir, só a história. Um povo que passou por guerras, fome,e toda e qualquer pessoa que esteve aqui veio para explorar, não sabe o que é RESPEITO. Policiais com cassetetes nas crianças. Isso não pode ser possível, Policiais que reclamam de trabalhar, sim, isso é possível. Policiais que ganham a “mola”, o “extra” fardados, não, isso não é possível. Ninguém se respeitava, só no grito,isso, não é possível. CRIANÇAS. Apenas CRIANÇAS, causaram um alvoroço sem tamanho, e todas as delicadezes de um povo vêem à tona. Seguimos. Encerramos o evento com shows, partida de futebol, com direito a mandinga no escanteio, todo mundo num campo oficial de um time, no qual não HÁ iluminação à noite, retirando banners e recolhendo coisas, encerrou. Mas, a memória daquelas crianças e o cassetete, empurrões se, desculpas isso ficará para sempre. E a certeza de que, tudo é da forma como fomos criados para enxergar, também. Hoje, vivo em África. Tenho as minhas percepções, minhas teorias. Não posso hoje, consumir a “HISTÓRIA ÚNICA”, MAS, tenho o que é meu, a minha vivência, e sentidos, de tudo aquilo que RESPIRO. Sinto-me confortável em falar sobre, mesmo que não faça parte da história acima contada. Hoje vivo e cheiro África, uma terra estereotipada, e que aceita por conveniência o ser COITADINHO. E o mundo ainda gosta de ter esse COITADINHO. Mantém, subjuga, explora. Todo mundo e suas vantagens. Mas quais são essas vantagens? Não é possível alguém achar VANTAGEM ferir, maltratar, alguém! NÃO! Isso não é ADMISSÍVEL. Tenho milhões de momentos me perguntando por que estou aqui. E em alguns acho a resposta, que é óbvia: pra melhorar você e o outro. Minha vida não funciona assim também sem, pensar no outro, apesar de ser muito egoísta em outros. Mas RESPEITO, sim, eu conheço. CIDADÂNIA, eu conheço.

Daí passamos disso para aquilo, assim, numa força moçambicana de ser. O que pra mim não é DESREISPEITO, para os outros, É. E isso constato desde as relações mais próximas. Eu, BRASILEIRA que sou, e muito também pela criação que tive, não consigo “cagar” para alguém de fora no meu país. Pois, tá, aqui vai-se caminhando assim. E você resolve que trabalha em um lugar aqui, muda de casa, de vida, para estar aqui, e de repente, sente-se sozinha fazendo o que tem que fazer, já que, o empregador, parece, já fez muito por você, BRASILEIRA, que se acha. Não acho, tenho certeza. Injetamos dinheiro por aqui e mandamos milhões de profissionais por ano, Já que temos COMPETÊNCIA. Bem, que seja, no final de tudo, tenho que, pra variar, correr atrás do que é meu. Se eu fosse ALEMÃ, metade do esforço seria minimizado. Mesmo assim sigo. FIZ amigos, e escolhas. SIGO.
Esse mix todo é um desabafo, pequeno, do que vem acontecendo. Tive meu primeiro evento, vi minhas falhas, meus acertos. Redescubro esse mundo a cada momento. Sinto pena, amor, prazer. E feliz, por poder perceber tudo isso aqui.

C.L. 01/06/2011 – É. Sou capaz. E depois, mais informações...

domingo, 10 de abril de 2011

De O C.L. para essa C.L.

Sobre a dor..... ela doí.. isso basta... mas basta saber que um dia não doerá. Será? Talvez. São as fontes que transformam a sede. Mas um dia há de haver sertão. E nele se faz canudos.
Seca, terra árida, mata verde. Mas conselheiro aconselha: siga, lute. E que no arraial se faça festa. Festa aos mortos. Festa aos bravos. Bravos? Que bravos? Festas aos vivos. Que vivos? Tolos. Mas o açude sucumbirá todos. Tudo apagado na represa lacrimejante da história. Seguem os livros, suas histórias e mentiras, mas seguem. Seguir.....
Sobre a dor... ela doí..isso basta..mas basta saber que um dia ela não doerá. Será?

domingo, 20 de março de 2011

Efêmera - Tulipa Ruiz

Trilha de um domingo qualquer... Entre fumaça e texto.

Vou ficar mais um pouquinho,
Para ver se acontece alguma coisa
nessa tarde de domingo.

Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto e
que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem,
mas eu nunca me esqueço.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho.

Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e
que nunca são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço.

Vou ficar mais um pouquinho, eu vou.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa
nessa tarde de domingo.

Hoje é o tempo preu ficar devagarinho
com as coisas que eu gosto
e que eu sei que são efêmeras
e que passam perecíveis
e acabam, se despedem,
mas eu nunca me esqueço.

Por isso vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho.

Martelo o tempo preu ficar mais pianinho
com as coisas que eu gosto e que nunca
são efêmeras
e que estão despetaladas, acabadas
Sempre pedem um tipo de recomeço.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa
nessa tarde de domingo.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se acontece alguma coisa
nessa tarde de domingo.

Vou ficar mais um pouquinho
Para ver se eu aprendo alguma coisa
nessa parte do caminho.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Incertezas

De repente ela se viu assim, praticamente nua, sem a roupa mais preciosa que tem em seu corpo: sua frieza. Tudo apareceu numa noite de adeus, lá estava, mas foi trazido à tona através de uma mensagem. O eu que se despe diante de uma demonstração de afeto, se joga, se deixa, tomou conta dessa moça, em um momento que talvez não seja o certo. Culpa (e mais uma vez o problema da alma – a culpa) dela em deixar a porta entreaberta para que ele pudesse entrar. Dura, direta, ela não se permitia, mas resolveu arriscar. Para quê? Para ter mais um momento de desapontamento? Para não saber o que fazer? Talvez inconscientemente ela goste de sofrer. Talvez conscientemente ela esteja criando mais uma armadilha para se sabotar diante de tudo. Por isso precisa ter calma para não colocar palavras e sentimentos onde não há. Talvez, seja uma forma dele se apresentar, de se proteger do que já passou. Ela, por sua vez, quer a intensidade da vida a dois, dos perigos de se entregar, da loucura que deixa a gente sem fôlego quando nos apaixonamos. Ele a fez redescobrir a conquista, agora ele faz com que ela desista. Ou ela faz isso a si mesma? Suas contradições de sempre. Ele, num lugar distante tem seus pensamentos exclusivos, pois, não os deixa transparecer. Ela pergunta, ela cutuca, para ouvir se segue se entregando ou se volta a se vestir. Ela quer certezas, sejam quais forem. Ela quer o direto a. Ele não a deixa saber as respostas. De repente um jogo, um daqueles que não ficamos confortáveis ou inteiros, isso ela abomina. Em alguns momentos a moça se pega querendo escrever, ligar, falar, textos enormes sobre o que se passa dentro dela, isso é expor – se, colocar-se em fragilidades. Isso ela não pode. Tem que ser forte, para o que for seu destino, mantendo suas metas e objetivos, andando sempre pra frente. Mas está fechada para balanço, uma olhada na vida e no universo, pra ver se de cima vem a resposta que precisa.

Ela chora e guarda. Ela engole a dúvida e cospe o medo. Ela se olha no espelho. Talvez exista um sinal. Talvez não.

C.L. 24/02/11

Pra mim, para ti, para uma idealização que talvez tenha existido. Pra um.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Diga sim a você!

Numa daquelas noite sem fim, dormindo tarde, era como se deus (pela intimidade) falasse com ela. Então? Vai continuar ai ou mudar o rumo dessa prosa? Que prosa, cara! Eu to vendo o que há, como há e onde há, mas...preciso da sua ajuda. Ajuda? A ajuda eu deixei dentro de cada um de vocês ao nascer. Não me venha com isso... Entendo...Entendo muitas coisas e outras não. Vejo e não enxergo. Tô tentando. Menina. Você foi tão deseja, lembra? Não? E das histórias de corredor que ouvistes, não lembra? Lembro...Melhor assim. Você foi desejada, e amada, do jeito que era possível amar, sempre, afinal, mesmo com o dom do amor, nem todas as pessoas são capazes de externar. Mas você foi. Teve educação, estudou, possibilidade de viagens, isso por merecimento do karma, hã? E agora vai entrar nessa, de se jogar pela vida, sem valor nenhum??? Como assim? Te mandei de novo pra cá, pois, acredito na sua capacidade de aperfeiçoamento. Você vai me decepcionar assim??? Não... não irei. Vou melhor, eu prometo, por você. Por mim não, POR VOCÊ. Ok! Certo. Fechado. Porque menina, afinal você anda aceitando migalhas? Tenho pena? Porque pena? Porque acho que de alguma forma posso contribuir para o cresci...Esquece. Cada um é eternamente responsável pelo o que faz. Se você continuar insistindo em fazer isso, no final não ajudará ninguém,mas sim, se afundará. Antes de tudo, aprenda a se olhar, se valorizar, se amar, pra então passar esses sentimentos nobres, pois não são todos que conseguem, adiante.

Entendido. É isso. Direi sim a mim.

Exato. E não as migalhas de amor, seja de quem for.

C.L.: numa conversa com deus, Maria Claudia e Carol Luz.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A história de Lily Braun - Chico Buarque

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz

Desfaz-se

Tem épocas que nada na vida parece certo muito menos concreto. Tens-se ai fins. Dar ponto final em qualquer história, acontecimento, momento é o melhor a fazer por sua alma. Ela não pensava assim. Pensava que a melhor maneira, talvez a única, de viver, era não se ver, não se amar e menos ainda, não se libertar.

Cadeias lotadas sempre, pessoas gostam de prisão e comida na mão. Cadeias do coração então, cheiíssimas. Nada contra, faça da tua vida a sua estrada principal e vá, mas que dá pena há dá. Nunca a vi diferente. Nunca a vi feliz. Nunca a vi AMAR. Apenas se entregando a qualquer buraco que apareça no caminho, com medo de mostrar-se, de abrir, de se AMAR. Resumimos que essa menina, sim, ela ainda não é mulher, não sabe amar. Se o soubesse, estaria feliz como estivesse. Amaria a si mesma como ama as outras coisas. De repente, vozes dizem: acho que ela pode cometer uma loucura. A minha voz diz: não. Não é capaz. Loucura é ato de coragem, e ela, não o é.

Mas é mesmo possível um ser não enxergar além do que é o seu universo? Como não? O mundo é grande, palpável, tem gosto e cheiro, tem mais gente do que se imagina, em cada quadra, em cada canto, em cada praça. Podemos e devemos nos arriscar. Mas não, não fale nada. Você já disse demais. Não, não se abra agora, você já se abriu demais. NÃO! Não ache que podes colocar sanidade onde não existe, isso deve ficar a cabo de quem a vive.
E os dias passam. E, Não. Não se desfaz, não se ama, não se liberta. Essa bengala virou cama para coma. Não. Não. Não. E é isso que ela diz. Que não consegue, que não pode, que não quer. A repetição do não deixa a gente tão pequeno... Ok, ok. Pensamento seu. O outro, diz não. Mas, mesmo assim, como entender uma pessoa que tem a vida pela frente e insiste em não aproveitar? Você que aproveita de mais, girl, aliás, precisa parar. Eu sei, eu sei... Mas, mesmo assim... Como? Idade ainda tem assim como beleza e espírito. Ninguém roubou a alma dela. Ela se rouba sempre. Ninguém a impede de ser feliz. Ela se impede. Ninguém disse que não a ama. Ela criou o que não a ama. Como fazer?

NÃO FAZER.

C.L. para ...