Poderia, não, é uma estupidez querer ser como alguém com a qual você não será parecida. Não tem a mesma alma, isso é impossível. Você gostaria de ser assim para ter aquilo que achas que perdeu para esse alguém. A gente não perde o que não tem. Passa adiante, ou para trás aquilo que não nos pertence. Vimos naquele espelho diário a necessidade de achar erros em nós mesmos para justificar as escolhas dos outros. Não necessariamente haja, pode ser que sim, talvez, possível, mas nem sempre. Cada um a sua maneira vê o sol nascer e se pôr. Cada um, a sua maneira bebe água. Cada um a sua maneira tem reações diante de mudanças. Tem que espere longas jornadas pelo possível amor idealizado. Tem os que voltem para o possível amor verdadeiro. Tem os que simplesmente viram a página, a mesa, a vida.
Dada a devida importância para cada um, seguimos a viagem que desejamos para nós. Pode ser longo e árduo o caminho, turbulento e recorrente, pode ser leve e calmo. Cada um a sua maneira. Deve-se respeitar o caminho escolhido, a estrada destinada e a voz da alma. Cabe a cada um expressar sua palavra de forma clara, se assim for possível. Deixar as lacunas não resolvem problemas, aumentam.
Cabe a mim o andar da minha vida. Não o da sua. Minhas projeções devem ser sobre mim, não sobre o outro. Não falhamos, aprendemos. E devemos ser capazes de aprender com gratidão. Devemos ainda, se for possível, esbanjar gratidão. Devemos ser, apesar de. Dentro das possibilidades de mudança, não escolhas a mais complicada, aquela que exige o outro, do outro, um valor acima do normal. Mude você, e deixe que o mundo se mude. Façamos.
Escolhas claras, palavras simples. Assim. Não posso dar a maior doçura, pois não a tenho, em muitos momentos não penso em fazer gentilezas, as faço quando vejo a necessidade. Por isso, e por todos os outros motivos, e pela alma, não posso ser a doçura do outro. Posso ser a dúvida, o medo, a apreensão que há em mim. Minha essência só pode, e deve, ser melhorada, não trocada. Quem dera fosse possível comprar o humor de hoje na padaria, o amor de amanhã na farmácia e a doçura no jornaleiro. Mas não podemos, ainda bem. Esforçamo-nos a melhorar a cada dia, passos pequenos, mas os pés no chão. Deixamos a água realmente rolar quando tudo sufoca, e pensamos. Sente-se e pense, reveja, se descubra, entenda erros passados com acertos presentes. Deixe-se.
Caminho ainda por ruas escuras, procurando essa doçura efêmera. Talvez a encontre lá dentro de onde tenho medo de ir. Talvez a traga com mais força do que essa angustia que aperta o peito. Talvez aprenda a falar com certeza e clareza o que sinto. Talvez eu mude pra melhor. Vivo de talvez, pois a certeza, essa não me pertence.
Talvez junto com o querer, podem criar um mundo novo. É nesse mundo que eu quero viver. Sem as mágoas, sem os desejos de ser um outro ser, plena de mim, do que vim aqui a fazer, lembrando que sou ponte, faço os outros chegarem ao outro lado deles mesmo. Isso deve me recompensar. Ser capaz de abrir os olhos da verdade, dá gosto. Mesmo quando isso é contra você.
Que a ponte, mesmo balançando, mantenha-se firme. Mas quando, o peso for realmente muito, curvar-se é legítimo, e não dói. Agradeça aos mais belos sorrisos que encantaram quem você não encantou, agradeça as rateiras da vida, agradeça aos balanços e tropeços. Agradeça, pois, do seu destino, não é fácil fugir. Viva, aproveite, faça as escolhas, possíveis, talvez.
C.L.: 06/03/2012 – 3 meses depois da maior mudança na minha vida. Caminho, com dor e saudade, mas sigo.