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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Desconstrução

Faço de mim terra inabitada por conveniência. Digo não a fofura, a delicadeza, ao amor. Digo não a uma parte da minha essência, pois, cabe em mim sim essas virtudes. Mas atropelo com fúria isso, que cabe em mim, para manter a armadura da dureza, o papel da vitima, a frieza da psicopatia. Mais uma vez, vejo-me completamente contraditória nesse universo que ainda estou desbravando: o EU. Levo o amor que me dão ao extremo, para ver se aguentam, como seu eu fosse um premio ao final. Mas esse premio nunca chega, pois os testes aumentam, doem, soam como arena de gladiadores. Quando a reação não existe, enfio o dedo frio e duro na ferida. A parte isso, sofro por perder pessoas, por ter dito poucos eu te amo, por não ter deixado o amor invadir. Sou repleta das minhas inconsistências que transbordam rumo ao vazio, a certeza de que eu estava certa dentro do julgamento que me fiz. Esse eu de todos os dias, que ainda sim perde batalhas insensatas, há tempos decidiu se destruir para reconstruir. Esse eu chora mais hoje em dia, se abre um pouco mais, mas ainda fere, e fere muito. Ainda tem muito medo de deixar a armadura cair para enfim, viver. O tempo vivido é o tempo reconhecido, o tempo confortável. Faz jus ao espelho torto feito, idealizado, seguro. Reconstruir-se é abrir mão do conhecido em busca daquilo que pensamos não conhecer, nem reconhecer. É deitar na grama úmida e rir-se. É permitir-se. E permitir-se, pode parecer perder o controle. Mas não é. Dentro do eu, cabe cada pergunta com cada resposta, cabem chances e vidas. Cabe amor. Mas ainda está misturado o bastante para fluir. Sinto como se fosse deixar de ser eu, no momento que não mais fizer cenas que faço. Não sei. Não nasci para Madre Tereza, mas não sou a Megera. Tenho em mim as duas partes, que podem coabitar essa passagem sem um ofuscar o outro. É encontrar o tal equilíbrio, que deixei em vias atrás, em tempos atrás. Tenho que poder dizer coisas boas, pois,gosto de ouvi-las e os outros merecem também. Quero poder ser especial pelo prazer sentido ao estar ao meu lado, não pela vontade diária de me ter afastada. Quero entender o que alguns veem em mim, mesmo quando venho com todas as armas na mão. Quero me ver nesse espelho claro, límpido, sem me forçar, sem te forçar. Quero receber amor porque mereço, e dar, sem peso, aqueles que também. C.L.: para desanuviar – PALAVRAS DE MIM. Vulnerável agora? Nem tanto. 08/11/12.

sábado, 18 de agosto de 2012

Ela – pela falta que me faz.

Começou despretensiosamente num ponto de ônibus. Ela, já tinha sua casa, sua vida, tentava se libertar de alguns maus tratos. Ele, a procura de um se dar bem. E se deu. Parece que foi uma grande e enlouquecida paixão. Dessas, que destroem a vida. Passado algum tempo, dentro dessa relação doída, traições e agressões, enfim, ela conseguiu o que mais queria na vida, pariu. Era uma noite de domingo, chuvoso agosto. Nasceu uma menina que não levou o nome que ela queria, e ele, que escolheu o nome, nem apareceu. Elas nasceram com 6 meses de diferença uma da outra, na exata mesma hora, com 36 anos de diferença, uma da outra. Elas, astrologicamente, era exatamente opostas. E se completavam. Cresceram juntas na função nova para cada uma, uma mãe e outra filha. Ele, foi viver outra vida, outra família. Elas, permaneceram juntas. Passaram por todas as situações imagináveis, desde dificuldades financeiras a alegrias e risadas extremas. Elas, seguraram uma a mão da outra. Elas se amaram. A menina pequenina tomava conta dela e da casa, deveriam ajudar-se mutuamente, por falta de ajudas externas. Partiram. Muito arroz com ovo e macarrão para sustentar. Muita mudança de casa. Muita incompreensão. Muita. Vida de tensões e cordas bambas. Cresce. Cresce em um momento crucial o inimigo invisível, que ninguém sentia. Transformava um cotidiano de amor em brigas. Brigas que vinham das ignorâncias e ganâncias de outros. Elas, aquela senhora, tinha um coração que abundava, mas nunca sabia como fazer, nunca por raiva, ela não carregava isso, apenas quando se tratava dele, mas de amor. Ela amava, do jeito dela, que não previa carinhos melosos nem declarações faladas. Mas durante a infância de menina, adoça as noites com beijinhos e cafunés. Ela, devorava livros e aos domingos colocava a vitrola para tocar desde cedo, enquanto cozinhava e fumava seu cigarro. A menina, arrumava coisas e sonhava. Elas caminhavam e dançavam. Todas as dificuldades passaram juntas, choraram juntas, uma se transbordava, a outra mostrava fortaleza. Uma confiava na capacidade de resolução e decisão, a outra respondia positivamente. Elas iam ao cinema, aos bares, as festas. Elas se riam. Iam. Vida adulta, muitas tristezas, muita dor, mas nunca o abandono. Amenina queria voar, correr o mundo, fez a sua vontade e foi. Ouviu, no primeiro embarque, já quando entregava o passaporte e segurava o choro: eu tenho muito orgulho de você. Lágrimas. E elas brigavam. Mas riam. Riam de situações que ninguém acreditaria que aconteceria, pois, os papeis eram por diversas vezes trocados. Cuidavam-se. Quando enfim o Universo, de maneira cruel para que fosse entendido o recado, fez com que elas mudassem de lugar e tempo para que fossem, apenas as duas, felizes, o inimigo invisível começou a se manifestar com mais força. Em um dia, exatamente aquele cara, por um detalhe a distância, fez com que a menina soubesse a extensão das mudanças que estavam por vir. Assim seguiram 1 mês. Assim a senhora quase se foi, mas voltou, inteira, forte. Deram continuidade a vida normal, mas a menina por mais que tivesse um mar a separá-las, estava mais presente do que nunca. E quando a vida parecia que levaria um outro, novo, inédito rumo, a menina voltou, como previsto, por que sabia que precisava voltar, mas não sabia que as razões eram outras. E elas passaram o último mês da vida delas juntas. E no exato número do dia que as duas nasceram, a senhora despediu-se da vida, sofrida, doída, mas que se ria, para sempre. Passou com semblante de paz. Elas, durante o mês conversaram sobre esse momento, no fundo, elas sabiam. Elas brigaram como há muito não faziam, e acabaram em gargalhadas. A menina cuidou como podia, assistiu todas as necessidades, passou perfumes, cremes, trocou fralda entre gargalhadas, mas ainda achou que fez pouco. A senhora, estava em paz e não sofreu. Foi recompensa divina pelas coisas boas que fez em vida, por muitos. Pelos perdões que soube distribuir, sobre os cuidados que desdobrou por aqueles que nem eram da sua família, e também por aqueles da sua família que a destruíam diariamente. Aquela senhora era feliz, ela dizia, sempre, que mesmo com aquela vida e todas as dificuldades, ela era feliz. Ela era inteligente, culta, e feliz. Que ela era grata pela menina, que com toda dificuldade ela criou, e também dizia, que agora ela poderia ir, pois, sabia que a menina aguentaria, já que na infância, sim, a menina dizia: se você se for, eu vou no mesmo instante também. E um pedaço dessa menina, como se estivesse na infância ainda, se foi naquela manhã de dezembro. E a menina ainda hoje, após 8 meses, sente uma dor tamanha. Mas ela sabe que aquela senhora, que não foi à toa foi SUA MÃE, falaria: “Que isso? Você não é assim? “ Talvez ela não era porque nunca a tinha perdido. Porque antes a distância era resolvida com um telefone, porque antes ela estava ao lado. Agora, vai dentro. A menina, hoje mulher, não terá a honra de criar seus filhos, se os tiver, com a avó doce que a senhora seria. Mas dará gargalhadas lembrando da grande frase inusitada daquela senhora: “esse ai é bom partido, já vem sem sogra!”. A menina vem sem sogra, a partir do final de 2011. Não aprenderá sobre macrobiótica na infância, não verá mais o sorriso de contentamento que a senhora dava todas as manhãs e noites quando se cruzavam na casa. A menina nunca mais será chamada de “minha flor de laranjeira”. Mas a menina foi criada pra luta, pra superação, para a vida que está do lado de fora. A leoa cresceu num aquário de maluquices sãs, de bondade altruísta. Se alguém não acredita no significado altruísmo, é porque nunca conheceu a senhora. Mais do que um prazer, com dores também, por ter nascido daquela mulher, foi também uma grande diversão em diversos momentos e uma honra. Elas se completavam. Simbióticas. Parceiras. Mãe e filha, acima de tudo. Foram, dentro das suas diferenças, felizes e se amaram mais do que tudo nessa vida. Não havia o que as separassem, mesmo em momentos de ira. A senhora se foi...Mas deixou pra sempre a tatuagem. A senhora, faz falta. Muita falta. A senhora, foi o melhor e o pior daquela menina. E ela, lá dentro, amava esse amor louco mais que tudo. Caminhamos. Não. A menina caminha. C.L.: Para minha mãe, Ilmara, a pessoa mais maluca, doce, mansa, brava, devota, que eu conheci. Para a pessoa que mais me amou na vida. E quem eu mais amei. A quem eu devo hoje, a força que tenho, a pessoa que soube negociar com o Universo a hora exata de deixar o palco, de sair de cena, pela sua integridade, pelo seu papel realizado, pela sua bondade. Saiu sem sofrer fisicamente. Olhou pra mim e deu o último sorriso falando: está tudo bem, vai ficar tudo bem. E, como estava previsto, ficou.O céu hoje deve ouvir: hummm...fica tranquilo, eu sei a filha que tive. Deixa ela, que ela sabe se virar melhor que eu. Se cheguei ao tempo que cheguei, foi por causa dela. Para a MINHA flor de laranjeira. Pra sempre com a saudade que deságua em mar. Mar, nosso mar. Odoyá. Nada é por acaso.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Descoinsidências

Bastava aperta um ok e um mundo mudaria. Novas perspectivas abririam na frente de seus olhos. Bastava querer abrir. Bastava, era simples assim, como qualquer outra traquitana da vida. A partir disso, clicou. Entretanto, isso não era lá seu perfil, não o faria assim, simplesmente por ter uma essência aberta. Antes, perguntas. De onde, quando e por que. ? . Recordou, relembrou e achou, no mínimo, ok. Naquele momento, portas se abriam, e fomos. Separados por telas, teclados, mas próximos em pensamentos, questões, descuidos, sintonias. A nota que tocava ao fundo não entoava nada além de simples, nota. Todos os dias apareciam, esses, diante de si. Expunham-se em textos e fotos, e música. Achava divertido ver a formalidade em momentos. Uma necessidade, uma descoberta. Da descoberta, a curiosidade. Da curiosidade, um desejo. Oculta. Expõe. Fragiliza. Pensa. Entre linhas, tortas, formais, abertas, graves e agudas, passaram. Uma promessa surge diante de um desejo interno. Contém. Pensa que naquele dia, naquele momento, foi absoluta descoincidencia a entrada de letras e sons em suas vidas. Permanece, descoincide o diário. Vê-se que cresce, aumenta, toma corpo qualquer coisa que sabe-se lá como explicar. Amorteça essa sensação, para o futuro. Durante essa lacuna, entre o que era e o que não é, coloca-se a disposição de vasculhar meandros e tempos. Segura o impulso do devaneio para manter-se inteira. Não há mais tempo para desmembrar-se em pedaços sonhadores que voam nas ruas da cidade. Entender que foi apenas um lapso, não, isso é impossível. Por acaso, não existe. Existe uma proposta superior em colocar pessoas que irão modificar acrescentar o outro quando estiverem em universos, mesmo virtuais, próximos. Assim, nos desconstruímos para nos encontrarmos. Desilusões a parte, tudo vale a pena. Vale a mudança que vem na sequencia. A espera de mais uma troca, contenta-se. Têm-se horas que não sabemos o que fazer com as mãos, em outras, não sabemos o que fazer com o coração. Caminha. Em tarde de ventania e clareza, abre-se para a tentativa de. Respeitando a particularidade de cada um, aproximando da descoincidencia dessa vida, segue a melodia da tarde que acabou em um suspiro de alivio. C.L.: Descoincidencias trazem...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pelo dia 6 de agosto de 2012 - o primeiro.

No final do dia, eu já não tinha mais olhos frescos de tanta água que saiu. Em alguns momentos de saudade grave, mas na maior parte do tempo foi de imensa alegria aguda. Nunca recebi tanto amor em uma enxurrada de mensagens lindíssimas. A alma ficou emocionadíssima. E externa em mar. E talvez eu veja que na verdade eu talvez nunca tivesse PERCEBIDO a quantidade de amor que recebo. Ele brota porque se faz presente. Eu recebi o que eu fiz. Algumas mensagens, em especial, e telefonemas inesperados também, deixaram uma tatuagem em mim, todos foram importantes, mas dividirei uma frase aqui, que muito tocou. Pois, se eu pegasse todas as frases, sms e telefonemas, molharia os olhos de novo. ...” e levantando bandeiras de orgulho por ter conhecido uma pessoa de alma livre da mesquinhez comum aos fracos.” É assim que o outro me vê, e é assim que eu irei agradecer. Então agradeço, mais uma vez, aos meus queridos, amados de verdade, pelo retorno. Eu não seria hoje o que sou se não fossem vocês. É um clichê barato, que seja, mas é verdade. Foi com a maioria dos amigos que aqui postaram coisas lindíssimas que atravessei momentos difíceis tendo quem me segurasse à mão. Outros, na verdade, me fortaleceram sem saber, lá atrás. Outros me fortalecem diariamente, outros tiram um sorriso que muitas vezes eu não tinha conhecimento que poderia, outros são novinhos, fresquíssimos, mas já fazem, talvez sem saber, a diferença. Tem gente com quem eu já gritei, já briguei, e ainda hoje me abraça, e eu abraço também com prazer e paz, pois, passou. Às vezes demora um pouco mais, pois, se em alguns momentos não sabemos o que fazer com as mãos, em outras, não sabemos o que fazer com o coração. Mas eu espero. A Carol de 10 anos atrás não é a mesma de 5 anos atrás, menos ainda a de 5 minutos atrás. A gente se reconstrói. Me desconstruí diante de grandes adversidades para reconstruir um EU que seja capaz, de verdade, de merecer todo esse amor, compreensão, perdão. Vou preenchendo meu jardim com flores de todas as estações. Se um dia, fui injusta com o Universo, me redimo aqui, pois, sou mais que grata pelas flores do meu jardim. Sou grata por todos que cruzaram meu caminho com tanto amor. Sou mais que grata pela base de vida e caráter que tive, sem ela, eu não seria quem eu sou hoje, e ela estará pra sempre presente, que seja através dos olhares, toques, carinhos, repreensões que os meus amigos farão por mim. E aprendo. Obrigada! !!! Que Deus nos abençoe. E, reencontrando essa música, sinto que é exatamente o que queria externar em som para todos. Assim, um tanto eu, assim, vocês são os meus meninos e moleques ;) Há um menino Há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto balança Ele vem pra me dar a mão Há um passado no meu presente Um sol bem quente lá no meu quintal Toda vez que a bruxa me assombra O menino me dá a mão E me fala de coisas bonitas Que eu acredito Que não deixarão de existir Amizade, palavra, respeito Caráter, bondade alegria e amor Pois não posso Não devo Não quero Viver como toda essa gente Insiste em viver E não posso aceitar sossegado Qualquer sacanagem ser coisa normal Bola de meia, bola de gude O solidário não quer solidão Toda vez que a tristeza me alcança O menino me dá a mão Há um menino Há um moleque Morando sempre no meu coração Toda vez que o adulto fraqueja Ele vem pra me dar a mão http://www.youtube.com/watch?v=My_OsqkDSjs

domingo, 22 de julho de 2012

Declaro-me

Por essas linhas declaro que não estou pronta para muitas coisas, vejo filmes se repetindo, e talvez não seja repetição, mas minha reação é quase sempre a mesma. Quero demonstrar que realmente estou ao lado, que posso esperar, que posso ser mais companheira do que jamis alguém pode esperar. Sou melhor que outros? Não. Essa sou eu, minha essência. Cansei de implorar um gostar, essa é minha história. Minha vida foi permeada por abandonos, masculinos, alias. As mulheres da minha vida, nem todas me abandonaram, nem todas. Mas quando penso e vivo o momento no qual estarei com um homem, tudo me apavora, com a nítida sensação de que eu, EU, estou fazendo tudo errado de novo. Eu estou conseguindo expor isso, tenho outros sentimentos que ainda não os coloquei em linha. E eles doem. Deixei meu corpo, minha alma aceitarem um momento no qual eu parecia especial. Talvez eu ainda seja especial, justamente por isso as reações que vem. No fundo eu acredito que a intensidade do que está sendo vivido não é à toa. Que corpos e almas estão realmente ligados nesse mundo, e uma rasteira não esperada fez com que os alicerces ficassem bambos. Estou bamba por dentro e por fora. Tenho a firmeza do caminhar mas não do que realmente é. Quero contar como foi o dia, ouvir como está tudo, quero REALMENTE estar disponível para olhar, ver e sentir: pode contar comigo. E pode. Com todo meu coração essa música ainda toca. Mas respeito e deixo o outro ir. Não vou prender menos ainda colocar a responsabilidade da minha felicidade na mão do outro. Nunca. Não mais. Responsável pela minha felicidade sou eu com minhas atitudes, com meus erros e acertos. Ninguém mais. O alguém a mais nas nossas relações é o que complementa o estado já existente. Se eu escuto um “eu prefiro assim, me afastar para me entender”, por mais que minha alma feminina entenda como um “ achei ou reencontrei um outro alguém”, a minha parte prática entende que isso é uma saída para um rompimento real, escolha de cada um, ou uma necessidade de certeza de vamos assumir qualquer tipo de relação, desde a primeira citada até algo mais profundo. Declaro aqui que compreendo toda e qualquer necessidade, pois, se fosse comigo, gostaria de compreensão também. Mas isso não me exime de chorar até os olhos colarem, por tristeza e por dúvida, se afinal, errei em algo. Sempre fui bastante sincera, mas dessa vez, mais do que de outras. Senti-me confortável em colocar fraquezas expostas. Senti-me dentro. Senti-me querida o suficiente para me abrir como sempre foi difícil. Declaro, mais uma vez nessas tortas linhas, que envolvi-me. Declaro que sei esperar. Declaro que tento entender sinais. Declaro estar, mesmo sofrida, aberta a essa espera. Declaro não importunar, não impor, não ter. Declaro-me sozinha nas minhas decisões e realizações. Declaro para todo o fim, não colocar no outro a pressão indevida. Declaro e aceito. Aceito mudar, não pelo outro, mas por. Pessoa com a qual terei que conviver até o fim dos meus dias. C.L.: 22/07/12 – O EU que chora hoje, se transforma amanhã. Para melhor, para dar mais o que tem de melhor.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

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Se me fosse possível, acordaria na hora, faria todas as coisas que tenho que fazer, abriria os olhos. Não, não consigo. E ainda quero condescendência. Não. Se me fosse possível, viveria uma vida, qualquer vida. Se me fosse possível, seria. Mas nesse tempo presente, nessa noite, nesse clima, nada além do “ fora da área de cobertura” é possível. Qualquer coisa quer existe não é satisfatória. Por erro de consciência, por Esso de vivencia. Sei, mas não consigo mudar. Não é que eu não esteja feliz. Estou pior que isso. Quero dormir uma vida. Quero dar cabo disso. Quero. Quero parar de chorar, de ser incompetente, de me submeter,de. Quaalquer de que me realize. Bebi. Proibição da semana. Ouvi, senti, gritei, estrangulei um choro de raiva, me submeti a ausência que a alma causa no corpo. Não tem frase, nem palavras soltas que façam-me repensar. Não agora. Agora sou lama e inconstância. Tudo é mais que difícil. Amanhã, se acordar, não será lucro. Texto de linhas. CL.: 13/07/2012 – Coisas

terça-feira, 3 de julho de 2012

Aquele medo

Mesmo sabendo que o filme não é o mesmo, a perseguição mental que o medo do provável, talvez inevitável, certamente planejado, macera. É muito mais fácil tomar as decisões pelo outro do que faremos da nossa vida. Afinal, essa decisão é sobre a responsabilidade da vida que temos. Esse frio na barriga, uma demora numa resposta, um atropelamento nas decisões, faz com que qualquer decisão torne-se mais que complicada, traz peso, tristeza, dúvida. E é a DÚVIDA que gera qualquer pânico. Ter dúvida é, quiçá a maior, fraqueza e causadora de problemas na vida de qualquer ser humano. Na dúvida, prostamos. Na dúvida, corremos decidindo a vida de qualquer um. Na dúvida ofendemos antes de sermos ofendidos, maltratamos antes que nos maltratem novamente, fugimos antes que fujam de nós gritamos antes que gritem conosco. Essa tal de dúvida... Uma tal bem conhecida, bem clara, bem perigosa. Na dúvida, prefiro não levar à diante, foi pela dúvida que tomei iniciativas que talvez não as tivesse feito pela certeza do resultado final... Mas que certeza é essa de resultado final, se na dúvida, decido o que o outro pensa sem perguntar. Uma mensagem que não chega. Na dúvida, acho melhor sofrer agora e em 1 semana levantar a cabeça. Na dúvida, avançaram aquilo que seria a minha função e deixaram-me com tamanha dor que prosto no passo a seguir. NA DÚVIDA morrem e nascem pessoas. NA DÚVIDA. Eu tenho é medo dessa dúvida, do não ter a certeza da vida. Mas quem é que tem? Nem eu nem você. Ninguém. Livre arbítrio. O meu sempre joga contra mim. Invento logo uma história incrível pra ficar assim, exatamente como estou, falando que como eu JÁ sabia, nada daria certo. Se daria, nunca saberei. Quando ousei não saber, meu tombo foi ainda maior. Acreditei numa possibilidade de mudar a mim mesma, e voltei ao que era. Densa. Mais pesada ainda. Com os tropeços que a vida deu, com as dores todas e possíveis que alguém poderia ter em um mesmo momento. Segui com a maior dor da vida, que alastrou-se entre relações, com feridas e desmandos, defini meu caminho como tortuoso e trágico, às vezes, uma comédia grega, noutras um fado. Fado: música essa que nunca mais quero ouvir. Mesmo com aquele medo daquela dúvida, tento despir-me dessa máscara da dureza e caminhar. Ela me protege, me deixa longe de tristezas maiores. Olhos sampacos de quem vê o mundo cinza. Olhos que veem a beleza das flores e detalhes, mas sempre externos. Olhos que tudo veem e nada veem. C.L. 03/07/2012: A paranoia feminina estraga qualquer situação. De um momento vou embora, um LINDA, faz você voltar atrás. Ou não. A dúvida.

terça-feira, 6 de março de 2012

Escolhas, possíveis, talvez.

Poderia, não, é uma estupidez querer ser como alguém com a qual você não será parecida. Não tem a mesma alma, isso é impossível. Você gostaria de ser assim para ter aquilo que achas que perdeu para esse alguém. A gente não perde o que não tem. Passa adiante, ou para trás aquilo que não nos pertence. Vimos naquele espelho diário a necessidade de achar erros em nós mesmos para justificar as escolhas dos outros. Não necessariamente haja, pode ser que sim, talvez, possível, mas nem sempre. Cada um a sua maneira vê o sol nascer e se pôr. Cada um, a sua maneira bebe água. Cada um a sua maneira tem reações diante de mudanças. Tem que espere longas jornadas pelo possível amor idealizado. Tem os que voltem para o possível amor verdadeiro. Tem os que simplesmente viram a página, a mesa, a vida.

Dada a devida importância para cada um, seguimos a viagem que desejamos para nós. Pode ser longo e árduo o caminho, turbulento e recorrente, pode ser leve e calmo. Cada um a sua maneira. Deve-se respeitar o caminho escolhido, a estrada destinada e a voz da alma. Cabe a cada um expressar sua palavra de forma clara, se assim for possível. Deixar as lacunas não resolvem problemas, aumentam.

Cabe a mim o andar da minha vida. Não o da sua. Minhas projeções devem ser sobre mim, não sobre o outro. Não falhamos, aprendemos. E devemos ser capazes de aprender com gratidão. Devemos ainda, se for possível, esbanjar gratidão. Devemos ser, apesar de. Dentro das possibilidades de mudança, não escolhas a mais complicada, aquela que exige o outro, do outro, um valor acima do normal. Mude você, e deixe que o mundo se mude. Façamos.

Escolhas claras, palavras simples. Assim. Não posso dar a maior doçura, pois não a tenho, em muitos momentos não penso em fazer gentilezas, as faço quando vejo a necessidade. Por isso, e por todos os outros motivos, e pela alma, não posso ser a doçura do outro. Posso ser a dúvida, o medo, a apreensão que há em mim. Minha essência só pode, e deve, ser melhorada, não trocada. Quem dera fosse possível comprar o humor de hoje na padaria, o amor de amanhã na farmácia e a doçura no jornaleiro. Mas não podemos, ainda bem. Esforçamo-nos a melhorar a cada dia, passos pequenos, mas os pés no chão. Deixamos a água realmente rolar quando tudo sufoca, e pensamos. Sente-se e pense, reveja, se descubra, entenda erros passados com acertos presentes. Deixe-se.
Caminho ainda por ruas escuras, procurando essa doçura efêmera. Talvez a encontre lá dentro de onde tenho medo de ir. Talvez a traga com mais força do que essa angustia que aperta o peito. Talvez aprenda a falar com certeza e clareza o que sinto. Talvez eu mude pra melhor. Vivo de talvez, pois a certeza, essa não me pertence.

Talvez junto com o querer, podem criar um mundo novo. É nesse mundo que eu quero viver. Sem as mágoas, sem os desejos de ser um outro ser, plena de mim, do que vim aqui a fazer, lembrando que sou ponte, faço os outros chegarem ao outro lado deles mesmo. Isso deve me recompensar. Ser capaz de abrir os olhos da verdade, dá gosto. Mesmo quando isso é contra você.

Que a ponte, mesmo balançando, mantenha-se firme. Mas quando, o peso for realmente muito, curvar-se é legítimo, e não dói. Agradeça aos mais belos sorrisos que encantaram quem você não encantou, agradeça as rateiras da vida, agradeça aos balanços e tropeços. Agradeça, pois, do seu destino, não é fácil fugir. Viva, aproveite, faça as escolhas, possíveis, talvez.

C.L.: 06/03/2012 – 3 meses depois da maior mudança na minha vida. Caminho, com dor e saudade, mas sigo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Esvaziamento

Pego-me pensando e falando as atitudes repetidas que tenho. Algumas são escapes cotidianos dos quais faço a vida. Enredo-me em teias nas quais só existe um desfecho, o boicote. Coloquei em pessoas frágeis, e outras que não deveria, uma carga das minhas escolhas que é absolutamente e somente minha. Quem disse que podemos projetar no outro aquilo que queremos pra nós? Gera desconforto, cobrança e acima de tudo, decepção. De ambos os lados. Leio textos que quero ler, entrelinhas que não existem. Penso e repenso em maneiras de arrumar um motivo que dê defeito ao outro. Não podemos, não posso, não quero. Consegui hoje ver dentro desse meu eu assim um tanto confuso uma sucessão de erros, mas principalmente que sou frágil sim, tenho problemas sim, gosto de abraços e beijos, e idealizo pessoas. Não as humanizo. Sofro, quando não haveria necessidade desse peso amargo que quero carregar. Carrego pelo passado, pela ausência, pela falta de. Falo de mim. Não quero falar mais do outro. Preciso resolver meu boicote, desejar felicidades aos que se encontram. Preciso esvaziar essa carga do peito, esse desejo que não sabia ser tão latente, essa cobrança. Preciso viver sem raiva, com calma e ciente de que cada um tem as suas prioridades, vontades, e desejos.

Esvaziar-me, abrir portas, perdoar, relevar, nada mais é do que crescer. Estou pronta para isso. Que venha a batalha, um ser humano melhor virá, com menos fardos, cobranças e medos. Sim, os tenho, poucos, mas tenho.

C.L.: 23/02/2012 - para uma boa noite de interiorização.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Pregui...

Naquela noite de inverno ambos sozinhos passavam entre as mesas conversando com amigos. Ambos. Momentos separados. A noite que junta e separa, fez com que aqueles dormissem juntos. Acordaram juntos por ainda muito tempo. Estavam envolvidos, apesar da não ter certeza do que desejava do. Caminharam. Riram. Em um momento a viu que era possível se entregar, porque não? Avistou uma oportunidade. De ser feliz ao lado de alguém, de poder amar. Fez-se inteira quando antes eram cacos, entregou-se para receber abraços, não amou como se não houvesse amanhã, acreditava que o amanhã de abraços cúmplices estava próximo. Preparou-se para o. Compromissos agendados afastaram. Mas a certeza do nos achamos estava inteiro. Abriu-se uma cratera no chão, a foi quase engolida, massacrada. Perdeu por todos os lados que poderia. Mas ainda sim, a certeza do, aquele que a fez sorrir e acreditar de novo, estava presente. Não, não estava. De um outro ângulo, uma, a que de intenso virou segurança, surgiu para aliviar as dores da primeira que serviu como suporte a dor da decisão, que nunca foi plena. Essa, uma daquelas que nunca está satisfeita, de suporte passou a terremoto, chegou e destruiu. Entretanto, aquele sentimento pela primeira jamais havia desaparecido. Eles são assim, passíveis de desentendimentos internos, dúvidas eternas, e atitudes descabidas. Mas a primeira...ela sempre soube do seu poder. Sempre. As portas abriram de novo, uma outra a, aquela, a primeira do texto, chegou. E com novos problemas, histórias de um novo mundo, responsabilidades, preguiças...Dá preguiça começar tudo de novo. Dá preguiça assumir, quem sabe, família. Dá preguiça trocar o certo pelo duvidoso. Preguiça anda de mão dada com o egoísmo e o comodismo. Essa puta que te destrói. Bom mesmo é se divertir. Qualquer atitude que divirta. Mas tem que seja mais esperto que você, e fará dessa diversão um salto, uma oportunidade de negócios. Benvido ao século XXI. A preguiça se dá bem com a cama, sempre. Sem compromisso, deite e aproveite. E de repente, aquela vida que estava com emoção demais, pelo menos uma mudança que deveria ser importante, acontece ,e tudo o que a pensa, ops! Ralo. E no meio do turbilhão de emoções, a vê-se como denguinho...não, recompensa pelo tempo perdido. Lembrando que recompensas não são pra sempre. Tem prazo. Pode durar muito, depende do investimento. E assim passou. Sem respeito mostra-se a verdade. Sem comprimosso, faz-se do outro escada, sem, acaba.

Acabou com o que pode ser maior. Os externos receberam a mensagem e transmiteram: primeira é a maior. A maior na certeza de que lá estará sempre, sempre esteve, não há risco. A não se arrisca, espera, curte, dispõem-se. Para quem se trata como prioridade,assim é cômodo.

Em um momento a terra abre um buraco, e você fica se equilibrando: ou cai ou salva-se. Forças externas nos movem em ambas as direções, um equilíbrio desumano. O vento sopra de um lado tentando fazê-la cair pela colina, suas reações direcionam o lado da queda. Mas a tal, a queda, é inevitável. Levante-se.

C.L.: “uma história que ouvi por ai”.

Cruel

Pois é, existem aqueles que têm uma capacidade impar em ser cruéis. Talvez eles não tenham nem idéia de como fazem isso, claro, não conseguem se ver na pele do outro, por isso a crueldade é ainda mais intensa. A crueldade se apresenta de várias formas, desde um silêncio sepulcral quando você precisa ouvir, o que quer que seja, uma ausência em momentos não propícios, mas principalmente, talvez a que mais doa, a crueldade de não passar por cima de suas certezas em prol daquele que precisa.

Um ser cruel tem a certeza de estar certo sempre, de não poder fazer muita coisa pelo outro, pois, a sua necessidade supera o outro. O outro na verdade, não existe. Existe um ser só, que não consegue ter responsabilidades e para se livrar dos problemas envolve-se nesse sentimento cruel de afastamento à força. Quando não sabemos o que dizer e nos calamos sem resolver o problema, estamos afundados na crueldade de não ver que o outro merece qualquer palavra, seja ela boa ou ruim, mas merece, porque o outro merece ter você com respeito para a vida. Respeitamos aqueles que nos ferem dizendo a verdade, mas não somos capazes de respeitar e perdoar quem foge.

Cruel é quem não saber admitir que errou. Cruel, é aquele que tem medo de responsabilidade. Cruel é aquele que vê que está se afundando e é incapaz de pedir ajuda. Cruel é ver alguém sofrendo e não se manifestar. Cruel é quem foge da luta, e dá ponto final interior sem se expor. Cruel é deixar que o outro pense o que quiser sem avisar que não é bem assim. Cruel é voltar para o conforto da certeza de que não haverá traições. Quando voltamos para aqueles que dissemos não mais estar envolvidos, simplesmente, somos ainda mais egoístas do que imaginávamos, afinal, pensam no bem – estar só delas, ignorando o que acontecerá com os sentimentos alheios.
Aos cruéis, desejo paz de espírito e um momento de lucidez pra sair da zona de conforto e enfrentar alguns perigos que a vida nos dá.

C.L.: 17/01/2012 – assim mesmo.