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quarta-feira, 19 de junho de 2019


Não sei dizer o que perdi e o que ganhei. NÃO SEI. Tem ainda um armário cheio das suas memórias, e uma casa, que nem sua é, também. Todas as minhas horas permeiam esse choro, essa falta e uma tal certeza. Vivemos de uma forma que nem sei dizer se consegui te falar o quão importante você é.  Existem escolhas que o mundo faz. Você, o mundo fez pra mim.
O que eu sempre quis dizer é que te amar nunca foi um peso, estar com você sempre foi uma piada boa, afinal, só fizemos piadas ruins. Éramos assim. As cervejas, as histórias e a casa, sendo dividida com você teve todos os pesos e todos os lucros. Quando a sua decisão foi ficar comigo, por alguns meses, pra mim, foi um suspiro de fiz algo certo. Até hoje, não sei. Não sei se te amei com a intensidade merecida, com a verdade absoluta nos olhos. Mas amei. Amei muito quem trouxe pra mim como irmã, como parceira. Mesmo com todas as ligações desligadas, com todos eu não posso. Te amei quando consegui te fazer sair sozinha, olhar a vida, o mundo, o entorno. Quando, talvez, te ajudei a olhar o seu contorno. Terapia sim, pra vida seguir. E você se engrandeceu de uma forma que eu só queria abraçar, e amar mais e trocar mais.
Minha Maricota, nossa vida foi feliz, poderia ter sido melhor. Minha, minha, minha, minha, minha. Teu anel hoje tateia meu dedo, tuas pulseiras me agregam, a camisola, a blusa, mas não é o material que transborda. Ficarei com seu sorriso, sua facilidade no trato, seu não julgamento, tua dica pra lavar calcinhas, teu carinho distante e teu amor…distante e intenso.
Queria saber escrever sobre você. Sobre nós, pra quem sabe, isso chegar em algum lugar no qual você leia, veja. Nunca fiz um poema pra você. Nunca me despi pra nossa amizade assim. Nunca. Fizemos da nossa história algo tão agora, tão real, tão...
Olho pra todo lado e tem você, tem suas coisas, tem sua sagacidade, e sua vida. Você viverá em mim, sempre. Mesmo doendo, mesmo rasgando, você está aqui e com isso tudo que vivemos. Não sei se chego ai pra dizer desculpas, por não ter estado com você, por ter sido a pior amiga que tanto exigiu. Não queria isso. Nunca quis. Te pedi tanto dedicação... E não te dei na partida. Isso nunca chegará a você, mas farei com que os meus dias digam em bom som o quanto você é minha parte e lanço desculpas pela falta. VOCÊ ME FAZ MUITA FALTA.
UMA FALTA QUE DESFAZ.
Achei que era possível viver sem você.  Achei que era possível viver sem uma parte de mim.
CL.: Pela minha Maricota, amiga das piores piadas, parceira das cervejas e principalmente, alguém que me ouvia e trocava sem julgamento. Que assim seja. Que saudade de você. Ridícula!

quarta-feira, 5 de junho de 2019


E nessas noites, que ainda detém uma manhã repleta, sento-me aqui e devaneio. Não como gostaria, mas não sei escrever diferente, nem mesmo me portar diferente. Emergindo de contas achadas e 1 perdida (ódio) e sem mais tempo para resolver no hoje, tento ainda arrumar gavetas, deve ser uma necessidade de arrumar dentro, sei lá. Arrumo um tanto. Coloco papéis em lugares para facilitar quem me achar fora desse mundo. Não podemos fuder a vida de ninguém nesse momento, até porque, ninguém nos contou quando será.

Passa um daqueles filmes antigos brasileiros, que mais eram um pornozin que todo cidadão de bem reclamava, mas obviamente assistia. COMO SALVAR SEU CASAMENTO. Não tenho, não sei. Ok, não arrumei o armário como um todo, mas limpei a saca das calcinhas. Cortei, joguei fora o que não mais servia, e como se em algum lugar dentro, já que é limpeza, estivesse cortando hábitos dos quais não quero mais. Sei de alguns, outros a descobrir, mas cortei. Limei, lixeira abaixo. Vou trocar o canal. Não dá essa sofrência. Ainda tem algo que sobra.
Sempre acreditei que limpar, limar, organizar faça parte de uma mudança interna. Em tempos de luto, absolutamente necessário, em tempos de tempos, também. Existe uma vida que vai além de. Existe um desejo que vai além de.

Talvez não faça nenhuma coerência essa escrita, nem sei se quero que faça, minha confusão precisa me basta. Tenho os textos como válvulas, a intensidade como rima e a dor como marcha. Essa chuva lá fora faz a vida ficar maior. A chuva aqui dentro, faz a vida se ter melhor, e assim vamos.
Vamos porque somos uno, sempre. Quisera eu ver a vida apenas minha, sem outros, sem me perder em.  Mas também não acharia, as chaves que desencadeiam ligações, acertos, desconstruções e renovações. Queria. Não tenho. Queria escrever textos sem essa voz de Clarice, de Caio, Pessoa, eles habitam tantos lugares de mim que nem sei. Escreve pra não gritar. Escrevo pra gritar.

Não tenho ideia do que é, mas arrumei gavetas e pastas. Tentei fazer da vida clara. Nessa hora da madrugada, querer ser sensata e poeta, não. Mas sim. Quis fazer de mim algo melhor numa conjunção de amores, aqueles que passaram, aqueles que estão e os que virão. Quis fazer de mim o que não sei: serenidade. Quis fazer de mim melhor: troca. E que a ponte que habita em mim...Ah essa ponte...se estenda a ti.

Sigamos.

C.L.: Numa longa madrugada de construção. 05/06/19