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quarta-feira, 5 de junho de 2019


E nessas noites, que ainda detém uma manhã repleta, sento-me aqui e devaneio. Não como gostaria, mas não sei escrever diferente, nem mesmo me portar diferente. Emergindo de contas achadas e 1 perdida (ódio) e sem mais tempo para resolver no hoje, tento ainda arrumar gavetas, deve ser uma necessidade de arrumar dentro, sei lá. Arrumo um tanto. Coloco papéis em lugares para facilitar quem me achar fora desse mundo. Não podemos fuder a vida de ninguém nesse momento, até porque, ninguém nos contou quando será.

Passa um daqueles filmes antigos brasileiros, que mais eram um pornozin que todo cidadão de bem reclamava, mas obviamente assistia. COMO SALVAR SEU CASAMENTO. Não tenho, não sei. Ok, não arrumei o armário como um todo, mas limpei a saca das calcinhas. Cortei, joguei fora o que não mais servia, e como se em algum lugar dentro, já que é limpeza, estivesse cortando hábitos dos quais não quero mais. Sei de alguns, outros a descobrir, mas cortei. Limei, lixeira abaixo. Vou trocar o canal. Não dá essa sofrência. Ainda tem algo que sobra.
Sempre acreditei que limpar, limar, organizar faça parte de uma mudança interna. Em tempos de luto, absolutamente necessário, em tempos de tempos, também. Existe uma vida que vai além de. Existe um desejo que vai além de.

Talvez não faça nenhuma coerência essa escrita, nem sei se quero que faça, minha confusão precisa me basta. Tenho os textos como válvulas, a intensidade como rima e a dor como marcha. Essa chuva lá fora faz a vida ficar maior. A chuva aqui dentro, faz a vida se ter melhor, e assim vamos.
Vamos porque somos uno, sempre. Quisera eu ver a vida apenas minha, sem outros, sem me perder em.  Mas também não acharia, as chaves que desencadeiam ligações, acertos, desconstruções e renovações. Queria. Não tenho. Queria escrever textos sem essa voz de Clarice, de Caio, Pessoa, eles habitam tantos lugares de mim que nem sei. Escreve pra não gritar. Escrevo pra gritar.

Não tenho ideia do que é, mas arrumei gavetas e pastas. Tentei fazer da vida clara. Nessa hora da madrugada, querer ser sensata e poeta, não. Mas sim. Quis fazer de mim algo melhor numa conjunção de amores, aqueles que passaram, aqueles que estão e os que virão. Quis fazer de mim o que não sei: serenidade. Quis fazer de mim melhor: troca. E que a ponte que habita em mim...Ah essa ponte...se estenda a ti.

Sigamos.

C.L.: Numa longa madrugada de construção. 05/06/19

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