Pego-me pensando e falando as atitudes repetidas que tenho. Algumas são escapes cotidianos dos quais faço a vida. Enredo-me em teias nas quais só existe um desfecho, o boicote. Coloquei em pessoas frágeis, e outras que não deveria, uma carga das minhas escolhas que é absolutamente e somente minha. Quem disse que podemos projetar no outro aquilo que queremos pra nós? Gera desconforto, cobrança e acima de tudo, decepção. De ambos os lados. Leio textos que quero ler, entrelinhas que não existem. Penso e repenso em maneiras de arrumar um motivo que dê defeito ao outro. Não podemos, não posso, não quero. Consegui hoje ver dentro desse meu eu assim um tanto confuso uma sucessão de erros, mas principalmente que sou frágil sim, tenho problemas sim, gosto de abraços e beijos, e idealizo pessoas. Não as humanizo. Sofro, quando não haveria necessidade desse peso amargo que quero carregar. Carrego pelo passado, pela ausência, pela falta de. Falo de mim. Não quero falar mais do outro. Preciso resolver meu boicote, desejar felicidades aos que se encontram. Preciso esvaziar essa carga do peito, esse desejo que não sabia ser tão latente, essa cobrança. Preciso viver sem raiva, com calma e ciente de que cada um tem as suas prioridades, vontades, e desejos.
Esvaziar-me, abrir portas, perdoar, relevar, nada mais é do que crescer. Estou pronta para isso. Que venha a batalha, um ser humano melhor virá, com menos fardos, cobranças e medos. Sim, os tenho, poucos, mas tenho.
C.L.: 23/02/2012 - para uma boa noite de interiorização.
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