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terça-feira, 3 de julho de 2012

Aquele medo

Mesmo sabendo que o filme não é o mesmo, a perseguição mental que o medo do provável, talvez inevitável, certamente planejado, macera. É muito mais fácil tomar as decisões pelo outro do que faremos da nossa vida. Afinal, essa decisão é sobre a responsabilidade da vida que temos. Esse frio na barriga, uma demora numa resposta, um atropelamento nas decisões, faz com que qualquer decisão torne-se mais que complicada, traz peso, tristeza, dúvida. E é a DÚVIDA que gera qualquer pânico. Ter dúvida é, quiçá a maior, fraqueza e causadora de problemas na vida de qualquer ser humano. Na dúvida, prostamos. Na dúvida, corremos decidindo a vida de qualquer um. Na dúvida ofendemos antes de sermos ofendidos, maltratamos antes que nos maltratem novamente, fugimos antes que fujam de nós gritamos antes que gritem conosco. Essa tal de dúvida... Uma tal bem conhecida, bem clara, bem perigosa. Na dúvida, prefiro não levar à diante, foi pela dúvida que tomei iniciativas que talvez não as tivesse feito pela certeza do resultado final... Mas que certeza é essa de resultado final, se na dúvida, decido o que o outro pensa sem perguntar. Uma mensagem que não chega. Na dúvida, acho melhor sofrer agora e em 1 semana levantar a cabeça. Na dúvida, avançaram aquilo que seria a minha função e deixaram-me com tamanha dor que prosto no passo a seguir. NA DÚVIDA morrem e nascem pessoas. NA DÚVIDA. Eu tenho é medo dessa dúvida, do não ter a certeza da vida. Mas quem é que tem? Nem eu nem você. Ninguém. Livre arbítrio. O meu sempre joga contra mim. Invento logo uma história incrível pra ficar assim, exatamente como estou, falando que como eu JÁ sabia, nada daria certo. Se daria, nunca saberei. Quando ousei não saber, meu tombo foi ainda maior. Acreditei numa possibilidade de mudar a mim mesma, e voltei ao que era. Densa. Mais pesada ainda. Com os tropeços que a vida deu, com as dores todas e possíveis que alguém poderia ter em um mesmo momento. Segui com a maior dor da vida, que alastrou-se entre relações, com feridas e desmandos, defini meu caminho como tortuoso e trágico, às vezes, uma comédia grega, noutras um fado. Fado: música essa que nunca mais quero ouvir. Mesmo com aquele medo daquela dúvida, tento despir-me dessa máscara da dureza e caminhar. Ela me protege, me deixa longe de tristezas maiores. Olhos sampacos de quem vê o mundo cinza. Olhos que veem a beleza das flores e detalhes, mas sempre externos. Olhos que tudo veem e nada veem. C.L. 03/07/2012: A paranoia feminina estraga qualquer situação. De um momento vou embora, um LINDA, faz você voltar atrás. Ou não. A dúvida.

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