Passamos os últimos dias sem muitas conversas ou intimidades, aliás, andamos assim nos últimos. Em algum momento leio em mim as ações que talvez você esteja realizando, não tenho lá muita certeza sobre elas, menos ainda se a minha imaginação está de acordo com a sua atitude. Uma despedida, uma palavra, uma nova chama. Foi assim há poucos dias, será assim novamente? Imagino que entre as minhas tortas linhas você venha para saber o que se passa nesse coração, para entender qual atitude tomar quando nossos pés estiverem na mesma terra. Talvez aconteça o simultâneo, talvez não. Talvez o universo nos queira juntos, talvez não. Talvez só eu queira, talvez, não.
Quando interrompo meu cronograma de vida diária para pensar no bem que você poderia me fazer, perco algum tempo nisso, sem se quer ter a certeza da recompensa. Consigo ouvir aqui dentro que uma atitude como essa faz com que se perca o foco. E nesse momento o foco é seu maior escudo. Certo. Concordo. Não há nada melhor que prevenir a dor. Mas abro-me para isso. Eu preciso, sou muitas vezes envolvida nessa paixão que a vida me dá. E sinto-me bem assim. Mas em invernos rigorosos que minha alma anda passando, gostaria muito de um verão temperado para abrandar as emoções. Um jogo de pernas e quadris, uma troca de idéias e amadurecimentos.
Ainda acredito que você venha me ler aqui. Leia mesmo. Devore. Posso ser a sobremesa ou o prato principal, depende do dia e da hora, da sua vontade. Mas as minhas vontades sobrepõem os seus objetivos. Ou caminhamos juntos ou afastamos mundos. Podemos caminhar em paralelo, sem toques, sem ofensas. Mas se essas estradas cruzarem-se por ai, isso eu tenho a certeza, que criaremos caminhos dignos de cuidados e flores, cores vivas e chuvas frescas. Abra-te, que me abro também.
C.L.: depois de um gostoso adeus.
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