Em tardes de chuva fazia aquela Solidão que se instalava e ficava. Fazia. Não era. Nem pra sempre, nem pra daqui a pouco. Apenas fazia. O sofá, a TV, as músicas na cabeça que relembravam momentos únicos estavam por ali alimentando o que fazia a Solidão. Não havia maneira dela se livrar, de se libertar do que A fazia, mas pensava nas maneiras para terminar logo a ação. Mas passavam tardes, com sol, com chuva, com neblinas – ela adora neblinas- e a Solidão voltava com força sem igual, que a fazia ação. Fazia, mas não pra sempre.
O que fazer (de novo a ação) para terminar com essa fúria desorientada que chegava, ganhava e depois ia embora se explicação? Mais uma vez perguntas. Como dominar essa imensidão de desatinos, sentimentos e repudias? Não sabia. Tentava incontáveis vez decifrar os motivos avassaladores que tomam as rédeas dessa tal solidão. Um copo de chá, escritas no céu, neblinas densas. E a chuva caia, como se o céu algo quisesse dizer, a ventania que sacudia árvores, casas e terra, balançava dentro dela, como um balé desorientado, sem risco, sem giz.
Contudo, nada mais era que um momento. A permanência das vias íngremes não eram assim tão permanentes, havia mudança em qualquer lado, gosto, amargo. Sabe-se que sempre não há de ser para sempre. Aquela solidão arrebatadora como chegava esvaia-se. Assim como qualquer outro desses tais sentimentos humanos que chegam sem avisar, tomam posse do terreno frágil, porém, em algum momento cansam do que vêem e partem. Talvez a terra aparentemente frágil abrigue um terremoto de proporções inigualáveis e varra da sua existência tamanha invasão. Sempre. Mas não pra SEMPRE.
C.L.: Saiu, como sempre.
Iniciado em 08/06/2010 – finalizado em 06/07/2011 em momento de catarse.
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