- para ouvir ao som de Nina Simone: Love me or leave me.
Não seja por isso. Te deixo sim. Ficaremos apenas como o que deveria. Não precisa dizer nada, está compreendido. Entendido. Claro, não quero nada diferente do que já foi deixado claro. Como? Não está entendendo o porquê? Nada aqui tem segunda intenção. O que está acontecendo não é o que parece. Oi? Quer dizer algo? Se começou termina. E terminou.
Passaram esses dias nesse conflito de medo – do – que – estou – fazendo – agora – será – que – dará – a – entender – o – que – não – pode – ser? E simplesmente não pode ser porque assim foi designado, esfregou em sua cara aquilo que já era sentido, e não precisava ser assim tão cruel. As palavras soltas do que deveria ser já haviam sido ditas, e mesmo assim, dúvidas permaneciam no ar. Talvez por ter a CERTEZA que a dúvida não era unilateral. Mas do outro lado do muro, que sussurro espreitava? Qual a verdade do som emitido? Será que o medo caberia aos DOIS? Talvez sim, talvez não. Impossível saber ouvindo só a sua cabeça. E através dos sons e do sussurro do mar o pensamento fluía de tal forma que já era impossível frear. Sentia-se confortável durante aquelas divagações dos próximos passos. Algo a deveria manter intacta, confiante, feliz. E escolheu o sonho do romance para mantê-la firme no seu caminho.
Será mesmo sonho? Poderia ser pressentimento? É melhor não pensar de forma tão otimista. Sabe-se lá o tamanho da queda. Já aconteceu outras vezes, o vôo até o chão, agora vê como saudável apenas caminhar. As alturas podem fazer certo mal a saúde. A sua SANIDADE. Mesmo assim conforta-se nesses pensamentos de que todos sabem – o – que – acontecerá- de – bom – e – estão – apenas – agindo – como – estão – para – dar – mais – emoção. Espera que seja, pois, sua alma está em inverno e o calor do verão precisa chegar. As flores querem a LUZ do SOL para abrirem-se. E ela volta ao seu mundo de sonhos , quedas e otimismo. A sua contradição permanente talvez seja a forma mais SENSATA de permanecer sã. E o livro ao lado diz: “ Things can only be better.”
Expõe – se para alertar o medo para que chegue devagar. Não procure, não olhe nos olhos, como já fez de forma tão intensa, não toque, deixe. Deixe que toda essa dúvida se dissipe com as fumaças tragadas e as noites frias. Mantenha-se no seu desconhecido confortável e bonito. Nas suas entranhas pesadas e doces. Na sua prepotência viril.
Deixe –se lá.
C.L.: no mundo dos sonhos, a felicidade é permanente, o beijo é doce, o carinho terno, e a admiração possível.
"Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega." Caio Fenando Abreu
04/06/2011.
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