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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Espelhos

Como se não bastasse às mudanças que andam acontecendo, em todos os aspectos,ter que lidar com a fragilidade humana é algo bem comum. Não fossem assim tão novas as pessoas envolvidas. Desde as experiências novas que jorram de dentro, o espelho no qual me vejo, até as vidas que me cercam. Dentre tantas ressacas morais que habitam minhas próprias atitudes, umas são perdoáveis, outras completamente necessárias, e poucas de arrependimento intenso. ARREPENDIMENTO, essa é a palavra que norteará essas frágeis, sim FRÁGEIS, linhas que aqui teço. Acredito que na próxima manhã aquele senhor estará arrependido da sua fraqueza, quer seja emocional ou cultural, isso ainda é um ponto a estudar, mas que existem, existem. De repente um amor pela cultura local o arrebatou, de forma a deixá-lo com olinhos brilhantes e postura servil. E assim ele segue durante 3 semanas, mas, por um momento, naquele dia em que teria a oportunidade de apresentá-la ao mundo, negou. E é essa a questão. Negou por quê? Pela falta de fluência desse amor a sua língua local? Ou por não querer perder a oportunidade de novas aventuras? Simplesmente negou e esqueceu-se de não deixar rastros. Fez tudo errado e envolveu outros na sua armadilha. Entendemos de certa forma a sua atitude, mas deveria ter sido leal. No fundo fica parecendo uso. Como uns e outros que abusam da sua boa vontade através da sedução. Mas ele gosta, gosta sim, daquela pele, da falta de entendimento de ser servil às vezes, sua cultura não o ensinou a isso. Mas gosta ainda mais do que recebe em troca. Deve ser realmente bom.

Toda a verborragia angustiante e insana daquela mulher surge como um atestado de dúvida pela minha presença. Arriscou uma grosseria, mas se viu diante de alguém melhor, e resolveu calar. Mas voltou a falar sobre o assunto que se quer deveria fazer parte da conversa comigo, afinal, roupa suja se lava no quarto. Não devemos nos expor assim. Sentimentos. E os desentendimentos permaneceram, e ela não estava errada, mas quer muito mais do que o que já foi informado. Sinto-me como ela, uma paranóia ambulante remanescente de tudo aquilo que já vivemos. Temos a capacidade de fazer melhor, e porque não fazemos? BOICOTE. Boicotamos-nos o tempo todo por pura insegurança de onde isso acabará. Acabamos antes que acabem conosco. Criamos ilusões só pra ter uma resposta segura sobre o inseguro.
Eu ainda tenho esse resquício em mim, dessa greve geral. Tento acabar mas não consigo. Me jogo no extremo de mim mesma, num sub mundo meu, e quando de fato realizo a fantasia, corro. Fujo da minha verdade, deixo de entregar-me por puro trauma, que eu criei.

Mas nesse mundo onde tudo gira e as impurezas escondem-se embaixo do sofá, seguiremos a vida. Que ele amanhã não tenha ressaca moral, e ela saiba ser mais leve com as incertezas. Que tudo flua ou acabe, mas que se resolva quando anoitecer.

C.L. 27/06/2011 – eita vida.

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