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sexta-feira, 10 de junho de 2011

A mudança

Enfim, o dia esperado de mudar de casa para uma aventura realmente nova chegou. Uma terça-feira quente, dessas com muitas atividades e pouca paciência. Mas vamos lá. A empregada diz que vai à antiga casa, onde tudo está empacotadinho, e não aparece, aliás, não apareceu nem nos dias que deveria ir. Arruma-se outra pessoa para fazer a limpa no cafofo do Sr. Almeida. Esse, inclusive, merece um parágrafo.

Um velho (com cara de, mas deve ter no máximo 52 anos) senhor, militar aposentado e POETA, com 3 filhos crescidos, assim como o número de casas. Sr. Almeida tem ATÉ livro publicado. Aparentemente, gente boa. O Sr. Almeida, dentre as casas que possuem, tem 2 no mesmo terreno, o apartamento no mini prédio da frente e a casa na qual reside ao fundo. O Sr. Almeida faz gato na própria casa que fica no mini prédio, que foi descoberto pois ESSA moça aqui vivia lá, E por causa dos problemas com a água, desligava todos os dias a luz geral da SUA casa, mas descobriu, através do filho do Sr. ALMEIDA que desligava a luz da casa deles também. O Sr. Almeida aluga o apartamento à Federação de Futebol, que coloca quem quer lá dentro, inclusive por um valor acima do pago ao Sr. Almeida (isso descobri, pois, o dito dono da casa me entregou o CONTRATO de ALUGUER). Pense que a FEDERAÇÃO não paga o dono da casa, logo, quem ele resolve cobrar? A pessoa que ele entende como não sendo da federação, e que afinal não deveria estar ali. Visualizem o Sr. Almeida, espreitando a minha descida para cobrar o pagamento. QUE NEM SOU EU QUEM FAZ! Mas agora dei adeus ao Sr. Almeida e sua água que nunca funciona direito, seu apartamento escuro e vazio de decoração, pois, só tem móveis se quem estiver lá PAGAR extra por eles. Este foi o motivo para receber o contrato...

Voltamos ao novo apartamento, Rua. John Issa 275 – Apt 4, Centro de Maputo, vista para um jardim incrível e com uma varandinha linda. Casa toda equipada, com história nas paredes, cheiro das pessoas, casa com cara de casa. Mas não é só minha, tenho apenas um quarto nessa imensidão, e um espacinho na cozinha, mas vou me espalhar. O espaço é alugado por um inglês, desses também com 52 anos, mas parece ter muito mais (concluo que só brasileiros tem uma carinha nova pra sempre. Ou é a água ou o carnaval que fazem esse bem a nossa pele). Quando cá vim a primeira vez, tudo certo, ele disse que tiraria coisas do quarto...MENTIRA. Chego e embaixo da cama tem um monte de tralha, dessas que você nem consegue distinguir, e deparei-me com um cheiro atípico, não sei bem do que, mas não me deixou dormir a noite inteira. Plano 1 do dia seguinte: arrumar tudo e comprar qualquer produto muito cheiroso. Plano traçado e com deadline certo. FIZ. Nesse momento, o meu quartinho é o lugar mais cheiroso da casa. E as tralhas? Desapareci com todas. E amanhã, abrirei a caixa de Pandora para o dono dar um sumiço descente a todas elas. Deixe a energia fluir. A limpeza foi uma daquelas. Varri cada cantinho, passei pano em tudo (menos no quadro ridículo com a Elizabeth Taylor que fica atrás de mim), joguei coisas no “lixo”. Ou melhor, coloquei à disposição do lixo. PORÉM, no meio desse objetivo, quando adentro a casa me deparo com o GRINGO e uma “amiga”, da terra, jantando juntos. Fiquei extremamente sem reação, afinal, acabei de chegar, vou sentar à mesa do dating? Acho que não. Melhor não, e nem vou explicar-me. Ele puxa conversa, e eu to lá na cozinha arrumando minhas coisas, as quais deveriam caber num pequenino armário. Tolinho, me espalhei um pouco mais. Sei que a conversa entre o casal estava difícil, de um lado o português era ruim de mais (mas pro objetivo principal, funciona) do outro o inglês não existia. Enfim, um QUERO formalizou a mudança da sala, com aparelho de som e tudo, para o quarto. Sim, eu tenho fone de ouvido e as paredes parecem até não ser assim tão finas. Mas ele abriu precedente.

No dia da mudança invadi a casa com mais três pessoas. Aqueles anjos que você arruma pela vida, e nunca te deixam na mão. EM homenagem aos anjos, tomei canja, que pra mim, é um sacrifício danado. Na volta ao novo LAR, encontro o dono com uma bata africana. É, um pouco estranho encontrar um branquelão metido a Zulu.

Pra fechar a noite do primeiro dia, até me ofereceram carne, mas neguei, é isso ai. Tive que ouvir do gringo que eu e a empregada dele precisamos nos conhecer, pois, ele parece querer que eu traga a minha pra cá...Entendo as individualidades inglesas, mas não dividir empregada, é um pouco demais. Vamos resolver. Nisso tudo aparecem duas meninas de Singapura para dormir na sala. PERA LÁ: SINGAPURA? Sim, sim, Couch surfer. Por mim, pode dormir à vontade, já estou caindo fora das minhas frescuras. Quando enfim acredito que vou dormir em paz, meu telefone toca, exatamente às 22h, e é o chefe pedindo mais uma coisa (tenho pelo menos 5 projetos grandes pra sexta –feira, sendo que, pra tudo é necessário tempo de produção) para a sexta – feira. No mundo dele, existe um gasto muito grande comigo que não está tendo retorno, penso eu. Mas sobre as atitudes HUMANAS nessa terra, isso é um capítulo a parte.

Com cheirinho de Relaxing Aromotherapy Fragance – KLIN, by Wings, produzido na Indonésia, vou dormir. E que venha amanhã. E que venha outubro!

C.L.: passo – a – passo dessa mudança, de vida, de sintonia! Um viva a nova CAROL LUZ que está vindo por ai.
08/06/11

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