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terça-feira, 14 de junho de 2011

Tem, mas não há

Os dias andam tensos e sonoros, leves e desgastantes, vivos e preguiçosos. Feijão feito, temperado, casa com aquele ar de meu: temperos, sabores, silêncio. São 20:40 e a cidade parece dormir. Terça – feira, amanhã labuta, depois também e assim segue. Deixo a comida quente esfriar para escrever linhas tortas que me levam a mim. A paz. Sem paz.

Eis que volto ao ato de aqui colocar as tais letras que me libertam. Pois. Feito. Comida ingerida, pensamentos ruminantes, aqueles tais de sempre, e alguns novos, pois, afinal, estamos velhos. Nunca o pesar foi tão presente. Nunca a certeza foi tão aguda. Um café, por favor. Não, já está tarde, permaneceremos (eu e Ele) com o suco de maracujá. Em minutos uma ligação, descobertas, não apenas falar, mas certificar-se de que tudo o que foi deixado lá, do outro lado do mundo, em perfeita ordem está, ou seja: se Tem mas não há.

Tem, mas não há, uma expressão que por mais simplória que seja, faz certa diferença quando pensamos um pouco mais. Tem AMOR, mas não há. Não há a troca, o beijo, o despertar junto. Mas tem amor, muito amor. Tem esperança, mas não HÁ. Não há o que esperar, o que procurar, mas ESPERANÇA há, e muita. Quantas coisas com as quais vivemos e convivemos, tem mas não há? Tem EDUCAÇÃO, mas não há. Não há respeito pelo outro, menos egoísmo, mas educação, graduação, pós – graduação, há, e muita, mas não TEM.
Esse dia correu imerso nesses pensamentos sobre as relações humanas, que tem, mas não há. Há dias rumino esse ser que esbarra, foge, teme, anseia por uma liberdade que está dentro dele, corrompe, ignora o semelhante,chora, arrisca, canta, dança, anda e CAMINHA. Mas pra onde vai? Como? Existem perguntas que não valem a resposta. Tem respostas que definitivamente não valem a pergunta. Deixarei que subjuguem minha capacidade de raciocínio e farei desse momento a minha tese de vida: a dois, três, quatro, comunitária.
C.L.: 14/06/2011. Assim.

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