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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

E nos ensina

Durante os últimos meses vivi um processo intenso, e ainda vivo, de aprendizado. Se ficou alguma coisa só saberei quando passar por situações semelhantes, e espero que tenha sim mudado algo. Ouço as vozes que vem da sala na qual não escolhi estar, com pessoas que não escolhi dividir a vida, por isso, recluso. Desde o primeiro momento que meus pés tocaram novamente esse solo tive a certeza que nada seria como antes. Primeiro telefonema e a empresa já não estava no mesmo lugar. Segundo telefonema e a recepção foi fria, como não era, terceiro telefonema e uma negativa. Qualquer pessoa minimamente observadora já teria percebido que esse momento não seria como os outros. Sem casa, sem o amor, sem previsões. Começa então o processo de interação com o ambiente velho, mas ao mesmo tempo novo. As pessoas não são mais as mesmas. Não? Claro que são ,só que agora sem máscaras e todas caem a cada dia, sempre mais e mais. A falta de permanência, e diante disso, do completo descuido hoje tenho que ouvir que a culpa de tudo é minha. Mas como minha? Durante os dias e as horas as pessoas trataram-me como qualquer coisa, com o pensamento de que eu estou sendo paga com peso de ouro. Mas que ouro? É um pensamento muito pequeno achar que por pagar um salário a pessoa deve ser seu objeto. Esqueceram que pagam mais por utilização do cérebro. E enquanto isso os dias esfriam e ficam mais densos. Mantemos uma relação de pura implicância, apesar de não termos mais idade para isso. Não nos suportamos, mas vamos fingindo. Essa primeira experiência ensinou pelo menos o que eu já no fundo sabia: nunca vá duas vezes ao mesmo local. Mantenha a magia. E as risadas da sala atrapalham a minha paz.

E as mudanças não acabam, permanecem enlouquecidas. Descubro a cada dia quem vale e quem não, a pena, nesta vida. Alguns que se fazem santos, são verdadeiros demônios. Outros simplesmente são o que são e por isso amados. De repente, nesse mundo paralelo, nos sentimos vítimas de situações das quais nada temos a ver, somos apenas a PONTE para as reações, pois assim, ninguém carrega a culpa, até porque, nessa terra não há culpa que se carregue... Talvez os anos de guerra os fizeram selvagens para sobreviver. Eu não tive guerra, não a conheço e não sei lidar com isso. Minha guerra é interna, de mim, comigo, para me libertar da pessoa que não presta e transformar tudo em O que presta. Corto pessoas da vida, incluo outras, sobrevivo e vivo. Vejo fraquezas e decepções. Pessoas são assim. Melhor seriam se admitissem a fuga ou a vida. Tenho hoje que conviver com pessoas medrosas, pueris, instáveis, fracas. A fraqueza me dá enjôo. O medo me causa raiva.

E o que será que me ensina, essa vida? A ter mais compaixão, acredito. A tentar concentrar e seguir. Ser mais calma e paciente. Ainda não me sinto nesse caminho do meio, as provações são tantas. A vida é tão linha reta e as pessoas tão previsíveis. Mas nessa estrada encontro quem me faça diferente, pensativa e contestadora. Gosto disso, preciso. Vou vivendo com plenitude, cada momento e espero ter no futuro a resposta de que toda essa tempestade mudou alguma coisa, em mim.

C.L.: de mim para mim, espero realmente que...enfim...
08/08/2011

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