Deveras tardio, sim, sinto que compreendi meu lugar nesse mundo. Confesso que essa posição não é confortável, mas deve me engrandecer de alguma forma que ainda não entendi. Tenho hoje a clara, transparente e sensível sensação de que sou PONTE. Exatamente como a palavra descreve, no meu entendimento: caminho entre dois pontos seguros. Começamos pelo ponto da dúvida, receio, medo, instabilidade. Do outro lado a certeza mais que absoluta sobre tudo. No meio desse trajeto a ponto com águas turbulentas abaixo. Não é firme essa ponte, menos ainda segura. Ninguém sabe bem como ela pode funcionar no percurso, mas ao chegar ao outro lado, talvez pensem: era disso que eu precisava.
As reações mais controversas e intensas acontecem comigo, no meio da travessia. Não, não disse que seria fácil, aliás, tem uma placa na entra dizendo: cuidado. Mas mesmo assim tem quem arrisque. Ninguém fica sentado ali tentando consertar os buracos da ponte, apenas passam. Sinto-me hoje como o caminho que leva a transformação, sem ser transformada por nada nem ninguém. Talvez a força da NATUREZA o faça, sutilmente, faz. Não existe quem tenha passado por mim e tenha se mantido exatamente igual. Os que se permitiam ser pisados, hoje gritam. Os que gritavam, hoje ou gritam mais ou falam manso. Aqueles que tinham dúvidas sobre o caminho a seguir, pisaram em terra firme de certezas. E seguem seus caminhos. Mas que isso, talvez, sirvo como ponte para trabalhos, intuições, amores. Sou a Botafogo das pessoas: bairro de passagem, mas algum sentimento há de ficar.
A ponte precisa de reparos, de festas no entorno de amores que ficam. De quem cuide dela e a faça firme, talvez, eterna. Essa ponte como faz com os ouros, também precisa ter a certeza dos lados, dos perigos, mas principalmente, essa ponte queria existir.
CL.: ainda por acabar...a ponte...o texto...
4/8/2011
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