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quinta-feira, 26 de março de 2020

E vc, o que vai levar do que viver?


Eu, eu vou levar encontros
Olhares
Poesia
Partilhar o pão
É assim que eu vivo.
 Não tem encontro, nem olhar, poesia perdida, pão deveríamos, e não.
E vc, o que vai levar do que viver?
Eu vou levar a vida, aquela que ninguém vive, só aspira. Aquela vida de olhar o outro como a mim, das relações, de ligar, de ter, falar. O outro, que vive e existe em mim.
E vc, o que vai levar do que viver?
Levarei a certeza da necessidade, da potência, da impotência e das faltas. A certeza de que cada um que sempre falta não se sente falta, mas reclama da falta.
Levarei a experiência da troca egoísta, da necessidade de se dizer tão quanto maravilho você é....de quanto na merda, vc precisa dizer que a sua escolha narcisista é necessária.
Vou levar, se viver, a perda, a certeza e a miséria. Vou levar que não deixei de estar, de ser, apesar de. Pq apesar de, se deve viver (Viva Clarice).
E vc, o que vai levar do que viver? Levarei a certeza absoluta que fiz o que poderia, que dinheiro não é a função do mundo, a função é o humano, que e que tudo, tudo é essencial
Eu, egoisticamente, vou levar pra mim, a certeza de nunca ter sido como vocês. E que quem anda ao meu lado, e se entrega a vida, vai olhar o que sobrou como os outros nunca mais.
Apesar de, Ainda que,  Mesmo que.
Que a minha fala não tenha função, mas que seja pensamento. Que meu escape seja, e tenha.
Miséria do que somos enquanto vivos, falta do que somos.

C.L.: perdas e redescobertas. Somos.
RJ, 26/ 03/20

quarta-feira, 19 de junho de 2019


Não sei dizer o que perdi e o que ganhei. NÃO SEI. Tem ainda um armário cheio das suas memórias, e uma casa, que nem sua é, também. Todas as minhas horas permeiam esse choro, essa falta e uma tal certeza. Vivemos de uma forma que nem sei dizer se consegui te falar o quão importante você é.  Existem escolhas que o mundo faz. Você, o mundo fez pra mim.
O que eu sempre quis dizer é que te amar nunca foi um peso, estar com você sempre foi uma piada boa, afinal, só fizemos piadas ruins. Éramos assim. As cervejas, as histórias e a casa, sendo dividida com você teve todos os pesos e todos os lucros. Quando a sua decisão foi ficar comigo, por alguns meses, pra mim, foi um suspiro de fiz algo certo. Até hoje, não sei. Não sei se te amei com a intensidade merecida, com a verdade absoluta nos olhos. Mas amei. Amei muito quem trouxe pra mim como irmã, como parceira. Mesmo com todas as ligações desligadas, com todos eu não posso. Te amei quando consegui te fazer sair sozinha, olhar a vida, o mundo, o entorno. Quando, talvez, te ajudei a olhar o seu contorno. Terapia sim, pra vida seguir. E você se engrandeceu de uma forma que eu só queria abraçar, e amar mais e trocar mais.
Minha Maricota, nossa vida foi feliz, poderia ter sido melhor. Minha, minha, minha, minha, minha. Teu anel hoje tateia meu dedo, tuas pulseiras me agregam, a camisola, a blusa, mas não é o material que transborda. Ficarei com seu sorriso, sua facilidade no trato, seu não julgamento, tua dica pra lavar calcinhas, teu carinho distante e teu amor…distante e intenso.
Queria saber escrever sobre você. Sobre nós, pra quem sabe, isso chegar em algum lugar no qual você leia, veja. Nunca fiz um poema pra você. Nunca me despi pra nossa amizade assim. Nunca. Fizemos da nossa história algo tão agora, tão real, tão...
Olho pra todo lado e tem você, tem suas coisas, tem sua sagacidade, e sua vida. Você viverá em mim, sempre. Mesmo doendo, mesmo rasgando, você está aqui e com isso tudo que vivemos. Não sei se chego ai pra dizer desculpas, por não ter estado com você, por ter sido a pior amiga que tanto exigiu. Não queria isso. Nunca quis. Te pedi tanto dedicação... E não te dei na partida. Isso nunca chegará a você, mas farei com que os meus dias digam em bom som o quanto você é minha parte e lanço desculpas pela falta. VOCÊ ME FAZ MUITA FALTA.
UMA FALTA QUE DESFAZ.
Achei que era possível viver sem você.  Achei que era possível viver sem uma parte de mim.
CL.: Pela minha Maricota, amiga das piores piadas, parceira das cervejas e principalmente, alguém que me ouvia e trocava sem julgamento. Que assim seja. Que saudade de você. Ridícula!

quarta-feira, 5 de junho de 2019


E nessas noites, que ainda detém uma manhã repleta, sento-me aqui e devaneio. Não como gostaria, mas não sei escrever diferente, nem mesmo me portar diferente. Emergindo de contas achadas e 1 perdida (ódio) e sem mais tempo para resolver no hoje, tento ainda arrumar gavetas, deve ser uma necessidade de arrumar dentro, sei lá. Arrumo um tanto. Coloco papéis em lugares para facilitar quem me achar fora desse mundo. Não podemos fuder a vida de ninguém nesse momento, até porque, ninguém nos contou quando será.

Passa um daqueles filmes antigos brasileiros, que mais eram um pornozin que todo cidadão de bem reclamava, mas obviamente assistia. COMO SALVAR SEU CASAMENTO. Não tenho, não sei. Ok, não arrumei o armário como um todo, mas limpei a saca das calcinhas. Cortei, joguei fora o que não mais servia, e como se em algum lugar dentro, já que é limpeza, estivesse cortando hábitos dos quais não quero mais. Sei de alguns, outros a descobrir, mas cortei. Limei, lixeira abaixo. Vou trocar o canal. Não dá essa sofrência. Ainda tem algo que sobra.
Sempre acreditei que limpar, limar, organizar faça parte de uma mudança interna. Em tempos de luto, absolutamente necessário, em tempos de tempos, também. Existe uma vida que vai além de. Existe um desejo que vai além de.

Talvez não faça nenhuma coerência essa escrita, nem sei se quero que faça, minha confusão precisa me basta. Tenho os textos como válvulas, a intensidade como rima e a dor como marcha. Essa chuva lá fora faz a vida ficar maior. A chuva aqui dentro, faz a vida se ter melhor, e assim vamos.
Vamos porque somos uno, sempre. Quisera eu ver a vida apenas minha, sem outros, sem me perder em.  Mas também não acharia, as chaves que desencadeiam ligações, acertos, desconstruções e renovações. Queria. Não tenho. Queria escrever textos sem essa voz de Clarice, de Caio, Pessoa, eles habitam tantos lugares de mim que nem sei. Escreve pra não gritar. Escrevo pra gritar.

Não tenho ideia do que é, mas arrumei gavetas e pastas. Tentei fazer da vida clara. Nessa hora da madrugada, querer ser sensata e poeta, não. Mas sim. Quis fazer de mim algo melhor numa conjunção de amores, aqueles que passaram, aqueles que estão e os que virão. Quis fazer de mim o que não sei: serenidade. Quis fazer de mim melhor: troca. E que a ponte que habita em mim...Ah essa ponte...se estenda a ti.

Sigamos.

C.L.: Numa longa madrugada de construção. 05/06/19

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Pra vc, por vc.

Uma carta pra vc, se quiser. 

Pode rejeitar, não espero menos, espero aquilo que você me julga. Bem – vinda ao mundo dos humanos, criança.

Sua habilidade de convivência permeia a minha. Então, não te faças de fácil, isso, não te compete. Não me julgues. Isso não te compete. Não vire as costas, a face. Não seja aquilo que pensas que me falta. Você é igual, com a diferença da imaturidade. Criança.

Sua doçura seletiva te faz um tanto quanto igual, se não pior, que eu. Perceba, apesar de saber que percepção sem interesse não te compete. Leia, atente, viva, flua, respire, entenda. Esteja, além de. Ou não, mas se não, aceite.

Então, permaneça nas relações que te sugam, não as que te levantam, escolhas. Fazemos e aceitamos.
Não que sejas assim difícil, não. Mas não tens os requisitos que cobra. A carência que te cerca faz com que a vida se torne mais difícil pra você. Poderia ganhar, em tantos aspectos, mas prefere perder lados e ganhar a absorção carente de quem também o é.

Uma virada de rosto enquanto falam por incapacidade de ouvir e admitir, uma conversa ainda mais séria, e é um celular que precisa ser respondido por não ter coragem de admitir. Admita. Aceite. Aprenda. Você pode ser tão mais. Mas precisa ser capacho. Ser a que recebe ordens.
É. Não nos cruzaremos adiante, a vida vai se encarregar disso, assim como nós, mas o que queria mesmo era ver você autônoma, viva, feliz, e entendida de si. Se não for possível tudo, só feliz. Desejo mesmo, quero e emano.

Que sua carência vá, que sua dependência vá, que sua falta de importância, vá.
E que você fique, plena, feliz.


C.L.: 24/11/17 – Pelas experiências que passo. Pelas pessoas com as quais convivo. Daquelas que tentamos amar, mas não dá. Seu julgamento faz com que sejamos exatamente aquilo que desejam. E foda-se

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Repleta

Estarei sempre repleta.

Seja de silêncio, seja do que for.

Sinto – me parte totalmente integrante desse universo complexo no qual a maioria se quer, gasta tempo sem ser com si mesmo.

Não serei passiva. A vida ferve e eu a rumino. Não como, mas observo. Rumino e em determinado tempo, engulo com prazer. E assim, absorvo.

Estou repleta da certeza do vazio que tenho daquilo que não sei. E não saberei.

Completo-me inteiramente do saber que sei, do olhar que enxergo, do amor que aceito.  E do que não sei.

Quero estar ao lado por plenitude, por olho no olho, pela gargalhada.

Desejo um mundo que se transborde em si, por ser, humano.

Quero permanecer repleta do amor que se realiza no encontro do que somos e como somos. Te quero ser. Não te quero ter.


C.L.: 08/06/16
Encontro-me repleta de indagações.

Quando nos encontramos com nossos maiores temores, podemos o quê?

Eu, decidi enfrentar. Não ao demônio, mas a mim.


C.L.: Começo. 08/06/16