Esse comecinho de inverno deixa os sentimentos exagerados. O meio do inverno piora. Ontem, ela queria ficar no seu cantinho, mas não pode. Deixou-se ir para onde a chamavam, e decidiu aproveitar um pouco. Que fosse. Verdadeiramente estava cansada, com preguiça, sentindo-se só e sem muitas esperanças. Foi. Chegou. Inicio da noite. Reencontros normais, pessoas normais. Dentre tantos amores passados, surge um alguém. Leve, sorridente, tímido, aberto. Foi e voltou. Disse e fez. Trocaram olhares durante um período longo. Mas passou. Reencontro dentro do espaço escuro, frio, com outras pessoas, e a pessoa. Dois de um lado, cinco de outro. Mais olhares, sorrisos tímidos, pessoas falando, perda de atenção. Ela gostou dele. Gostou pensando em tentar, pois não é natural que ela queira tentar. Às vezes ela acha melhor ficar de lado, ficar sem o complicado, ficar sem e não sentir. Talvez, o problema dela seja sentir, sentir demais, se entregar demais, amar demais e não saber como resolver tudo isso. Eles se olharam novamente. Uma cerveja, uma vodka, uma amiga, e vários amigos.
Ele, que já havia falado com ela, ficou ali, olhando e não olhando, querendo e não querendo. Com dúvidas. Parece ser o tipo de homem que tem dúvida, de ser aceito ou não, de se preocupar demais com a imagem. E talvez ela não seja a imagem ideal para a sua vida. Ou seja. Não disse. Sentia-se no ar uma dúvida que vinha de dentro da dúvida deles. Ela sem saber se arriscava. Ele sem saber se aceitava.
Trocaram outros olhares, ela já pensa na possibilidade de baixar a guarda, e abrir os muros do seu coração. Ele vem. Vem, fala ao pé do ouvido, agradece e pergunta se ela está sempre ali. Clichê de quem não sabe o que fazer. Ela não sabe o que fazer com o corpo, o rosto as pernas. Tem vontade de abraçar e beijar. Mas controla-se. Uma voz aparece perguntando se eles se querem. Ela não sabe o que dizer. Concorda em parte, disfarça um pouco, mexe no cabelo, pensa em sumir. É uma mulher, não uma menina. Eles menino e menina. Ou não. A voz faz elogios, diz que ele é a melhor pessoa do mundo: “ele leva mulher a sério”. Acho que foi ai o click para ela. Ela que até então não sabia se queria, soube o que queria por causa da voz. A voz foi embora, um pouco bêbada, um pouco sem saber o que fazer e falar.
São 4h da madrugada, além desse amor que nasceu e se foi, nada mais aconteceu. Conversas boas, bons amigos, boa bebida, bom ponto final de histórias velhas. Saldo parcialmente positivo para a noite. Eles poderiam sair juntos, abrir as portas, deixar que ela se abrisse e se entregasse, e ele se abrisse e se soltasse. Foram um durante 30 segundos, e serão 2 durante o resto da vida. Ou não.
C.L.
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