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terça-feira, 2 de março de 2010

Dois passos

Tímida, pequena e meio perdida, ela vagava pelo cinema como se estivesse se escondendo de algo. Não havia razão aparente, mas ela se sentia assim. Olhava para os lados, com aquele olhar que segue coisas sem se mover, não conseguia ficar parada no mesmo lugar. Chegava a hora da sessão, e ela, tensa, sentou-se com suas guloseimas e manteve-se abaixada na cadeira, olhar fixo na porta e na tela. Ninguém conseguiria pegá-la ali, nem o mais sagaz. Final de filme correu escada abaixo, sumiu na chuva. Ou não. Manteve-se ali, a procura do que a trouxe ao local. Não, ela não se escondia, tentava se achar. Achar o que tinha perdido dela mesma nessas ruas, procura a razão para definir o futuro. Vagou. Durante horas sentia a água da chuva no seu corpo como se a limpasse das suas angústias. Seguia procurando, perguntando, respondendo. Chegou a algumas conclusões, outras não. Carro, gente, guarda-chuvas as vezes atrapalhavam sua imersão em sim.

Voltou ao local do qual fugiu em busca de si mesma, acreditando ter respostas, mas não às encontrou. As respostas estavam no suor, sangue, calor de seu corpo, de sua mente. Dormiu. Esqueceu. No dia seguinte tudo continuava igual, e ela, aparecia na rua como se estivesse fugindo, daquilo que não dá.

C.L. sobre uma menina que me deixou curiosa no cinema... Criei assim.

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